2020, o ano que não deve ser esquecido

Por mais difícil que tenha sido o ano que hoje se encerra, suas lições devem perdurar anos. Sem dúvida é um dos anos mais importantes da nossa história recente. E deve ter seus ensinamentos preservados.

Um ano de aprendizados e duras lições. É assim que vejo o fim de 2020. Com respeito. E observando muito bem todas as lições e dicas que ele nos deixa. Como um aviso, de que estamos, enquanto sociedade e talvez humanidade, no caminho errado. E vou explicar os por quês.

Já no começo do ano, fomos pegos por um inimigo invisível. A COVID 19 sem sombra de dúvidas deixou nosso ano mais triste, mais distante, onde perdemos quase 200.000 brasileiros (marca que será batida já ao final da primeira semana de 2021). E terminamos o ano ainda com pessoas pouco ligando e negando a importância dos protocolos básicos de saúde. O que fizemos? NADA. Além da COVID 19, tivemos os eventos climáticos mais extremados de toda nossa história. Recordes de temperatura desde o início das medições, mortes de ecossistemas inteiros, caça predatória, desmatamento ilegal recorde e cenas dignas de um pesadelo com as queimadas da Amazônia e Pantanal. O que fizemos? NADA. Também tivemos crises humanitárias como a da Venezuela, atingindo o território de Roraima e o aumento das pessoas migrando para abaixo da linha de pobreza. Some-se a isso desemprego de mais de 14 milhões de brasileiros. Se somarmos comércio informal, os que desistiram de buscar emprego ou trabalho e os não "localizáveis" pelo CAGED, teremos a incrível marca negativa de 25% da população brasileira sem trabalho ou emprego formal. O que fizemos ou cobramos? NADA.

Ainda assim, o povo ri. Ainda assim, festeja. Ainda assim, não usa máscaras e brinca de estar em uma disputa Fla x Flu que nos parece eterna. Ou busca as festas clandestinas como se fosse o ápice da sua inteligência. Pobre povo brasileiro. Sim, porque a COVID 19 por exemplo, chegou pela área internacional dos aeroportos e se alastrou para todos. Mas quem sofre de verdade é o pobre. É ele que é privado de fato das coisas e do consumo na pandemia. É para o pobre que falta proteção.

Sim, eu sei que morreram pessoas de todas as classes sociais. E obviamente me solidarizo com todas as famílias. Mas o sofrimento mesmo, acreditem, é do pobre. O rico também morre. Pode quebrar sua empresa (mas pelo menos teve uma). O rico teve que demitir também. Mas quem ele demite? o pobre. E o pobre ri. Se alegra com o presidente da república e suas macaquices. com a sua incompetência gerencial e emocional. "Ele fala como o povo" eles dizem. "Ele é simples, veste chinelo, camisa de time de futebol e faz churrasco. Ou come pastel" eles gritam e defendem Bolsonaro. E fazendo isso eles dão razão a Bertolt Brecht, que dizia:

"O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais." 

Claramente o presidente Bolsonaro é beneficiário da falta de reflexão de um povo majoritariamente ignorante e por vezes inocente. A fraude que ele representa como gestor ainda ficará clara para todos (ou ao menos os que pensam). Mas nem tudo é culpa de Bolsonaro. De fato, um país onde Felipe Neto, Neymar, Bruno e Marrone, Carlinhos Maia, Pugliesi entre outros, são considerados ídolos e exemplos, realmente não merece dar certo. Vou repetir. NÃO MERECE DAR CERTO. Mas quem sofrerá? o pobre. De novo ele, que se deixa mais facilmente levar pelo glamour das "celebridades". A hipocrisia daqueles que criticam Bolsonaro também ficou enormemente clara neste final do ano. Máscaras caíram e uma coisa ficou exposta: nos falta moral como povo. Da esquerda à direita. Dos conservadores aos progressistas. Esta é uma lição que 2020 jogou na nossa cara. Nos falta hombridade (retidão de caráter, dignidade, honradez, grandeza moral e ética), discernimento. Nos falta proteger a vida ao nosso redor. Fauna e Flora. Nos falta nos importarmos e amarmos o outro. Nos falta quase tudo, do rico ao pobre. Mas quem sofre, acredite, é o pobre. 

Como conservador não consigo deixar de observar e de ser cético, ainda que mantenha a esperaça de um país melhor. Como liberal gostaria de ver um governo menor, não esta zona que  aí está, com uma economia claramente assistencialista e incompetente. Sem plano algum. Um time preguiçoso que não gosta justamente do que? de pobre. E desde a véspera do Natal tenho pensado. Mesmo. Todos os dias. 

Como Jesus deve estar triste com a humanidade. Que decepção. E que engraçado também. Pois se lembrarmos bem, o pecado original, no Éden, foi o da desobediência (para quem acredita claro). E o que estamos fazendo agora? Como nunca antes? Exato. Desobediência. Os pecados capitais nadaram de braçada em 2020. O presidente Bolsonaro claramente exercita a IRA diariamente (mas se diz cristão não é mesmo? Usa pulseira e tudo. Mas xinga, fala palavrão, beneficia os seus mais próximos...tudo muitooooooo cristão). Talvez pudessemos encaixar os gastos recordes do cartão presidencial como LUXÚRIA também, mas prefiro deixar este pecado para os ícones da internet. Sim, aqueles que você segue. Sim, aqueles que a maior parte do Brasil pobre (olha eles aí de novo) seguem. A estes acrescento a SOBERBA, pois não importa se temos Leis. Não importa se pessoas morrem. Não importa nada. Eles permanecem fazendo o que querem. Porque sabem que você leitor permanece seguindo-os e se iludindo. E ainda aplaude. Na ausência de não poder ter aquela vida, você se projeta no glamour do ídolo.

Em 2020, recebemos todos as dicas, sinalizações que o mundo, o universo, as divindades (se vc acredita em alguma) e Deus poderiam nos dar. TODAS. E decidimos majoritariamente ignorá-las. Esta é a verdade que ninguém fala. Sabe por quê? Porque é final de ano e temos que estourar a Cidra Cereser ou o Champanhe mais caro. Porque temos que dar presentes e ter fartura na mesa. O show precisa continuar. Só uma coisa passou batido nisso tudo. E estou aqui para te lembrar no último dia do ano. Você pode ter uma mesa farta, lindas fotos, presentes caros e muito dinheiro (as vezes as custas de trouxas que te seguem nas redes sociais). Mas por dentro está vazio, podre de espírito e não acrescentou absolutamente nada para um mundo que precisa desesperadamente ser melhor. Se você não está nem aí para isso, como a maioria das celebridades dando festa neste momento com centenas de pessoas sem o mínimo de cuidado sanitário - mas pagando nas redes sociais de exemplos, parabéns, você não aprendeu nada.

Por isso defendo: 2020 não deve ser cancelado. Foi o maior aprendizado em décadas para as gerações milênio e Z. E em 2021 saberemos se aprendemos ou não a lição. Minha aposta racional é de que NÃO, não aprendemos. A "vida loka" seguirá no Brasil. Hoje é dia 31. Faça dele um dia de reflexões profundas. Cada vez mais temos menos tempo para errar. Saúde a todos.

Últimas