5 pontos para o Brasil decolar de vez na economia

Entre fantasias de um lado e críticas sem sentido de outro, o país patina na retomada. Mas nem tudo está perdido. Existe uma rota clara, apontada pelos países desenvolvidos e que devemos seguir.

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Divulgação

Recentemente li uma frase do ministro Paulo Guedes afirmando que 2020 seria o ano da decolagem da economia brasileira. Que o plano foi frustrado por causa da pandemia. Não é verdade. O PIB brasileiro no primeiro ano de governo Bolsonaro já havia crescido menos que na gestão Temer. Estávamos melhorando sim, verdade, mas decolando? Não. Também li pessoas de oposição ao governo dizendo que economicamente não foi feito nada pelo atual time do presidente. Também não é verdade. Houve avanços sim para o ambiente econômico (ainda que alguns, como a MP da Liberdade Econômica tenham sido anulados pela pandemia) e apoio do Congresso Nacional para as reformas, que caminham, talvez não na velocidade que esperamos, mas caminham. Isso sem contar em bons resultados de ministérios como Agricultura e Infraestrutura, que impactam no resultado final. De qualquer forma, não será na narrativa do governo ou da oposição que você encontrará a verdade nem o caminho das pedras para a retomada da economia. É preciso estar atento e tirar, de lado a lado, as frases de interesse próprio.

Como dizemos nos negócios, a resposta sempre está "lá fora". Neste caso, uma rápida observação sobre como as grandes economias estão lidando com a crise e o futuro da economia deveriam nos dar as pistas para construírmos nosso caminho. Mas ao contrário disso, permitimos que a soberba diga que "daremos um exemplo ao mundo de como sair desta crise". Não é hora para egos inflados ou pensamentos arcaicos e radicais. É hora de trabalho. Duro. Então resolvi compartilhar um pouco de coisas que estão acontecendo lá fora e que devem puxar a retomada das principais economias mundiais. Vamos lá:

1- Fortalecimento da Indústria: Os países mais capitalistas do mundo estão apostando na sua indústria. Por quê? Simples. As indústrias costumam ter cadeias produtivas longas e tem o poder de "arrasto" - puxar mercados e tecnologias. São gerados na indústria muitos empregos, trabalhos e bons salários. Apostar em uma indústria forte, tecnológica e produtiva é um ótimo caminho. E aqui no Brasil? Aqui não temos sequer um plano para retomada industrial, nem mesmo uma discussão séria sobre produtividade no governo. Parece existir um ranço aos industriais. Mas há esperança no pacote de obras a ser lançado em breve. E do lado da oposição, as viúvas da política industrial do início da década de 2000 também não se atualizam, defendendo um modelo antigo, onde o Estado bancava quase tudo e não cobrava quase nada. Fase difícil.

2- Aposta nos novos formatos de negócios: EUA, Israel, Alemanha, França, Coreia do Sul, China e Reino Unido por exemplo tem apostado muito nas novas gerações, sobretudo a Z (nascidos entre 1996 e 2009) e propiciado um ambiente econômico favorável para a criação e SOBREVIVÊNCIA de startups, scaleups e fundos de investimento. A ideia de que é a nova geração quem vai compreender melhor esta economia digital está correta. E no Brasil? bom, aqui, deveríamos dar um prêmio ao setor privado pelo heroísmo de ainda permanecerem vivos.

3- Exploração de novas economias sem se esquecer da economia real: Os países que citei acima também andam liderando esta busca pelo desenvolvimento de novos mercados, como a telemedicina, robótica, EAD para educação, produtos e serviços derivados do conceito de internet das coisas e biotecnologia. E não é de hoje. Avanços em marcos regulatórios e diminuição de normas infralegais (sobretudo na Receita Federal) deveriam ter mais atenção do governo federal e ser discutidos de forma menos colérica e mais racional pelo Congresso Nacional. Em todo o mundo, estes mercados representam dinheiro novo no caixa dos governos que, pragmaticamente, sabem trabalhar o tema. Você sabia que de 30% a 40% dos recursos que ajudam a manter a polícia de NY vem da venda de Cannabis? E estou falando de países conservadores !!! E no Brasil? Aqui ainda temos políticos, que demonizam temas complexos, sem apresentar nenhum argumento plausível, apelando para o discurso da pós verdade, calcado apenas em emoções. Mal sabem eles, que, desta forma, representam a Idade das Trevas em pleno século XXI. Em relação a economia real, que traduzo como o dono da banca de jornal, o pipoqueiro, a padaria, food trucks, salões de beleza, a dona da vendinha, entre outros, lembro que são eles que movimentam o Brasil de verdade. E isso é muito sério. Não adianta a equipe econômica gostar do mercado financeiro e não gostar de pobre, de quem produz, heroicamente, riqueza para nosso país. Isso deve ser urgentemente melhorado dentro do governo Bolsonaro. 

4- Reforma Tributária ampla: Os países que sairão primeiro da crise certamente tem regras mais claras do ponto de vista tributário. Isso permite ao setor privado ter mais segurança na hora de investir e mesmo recriar ou criar um novo negócio. O Estado não fica "baforando no seu cangote" de cinco em cinco minutos. Talvez a maior discussão entre todas as reformas no Brasil, para um liberal, seja esta. E no Brasil Guto? Bom, aqui temos duas visões (Executivo e Legislativo) para esta reforma e confesso que acredito ser a do Congresso Nacional a mais completa e adequada. Está caminhando. Vamos torcer para que o senso de urgência prevalesça e que seja ampla.

5- Ambiente político favorável: Os países que primeiro sairão da crise são aqueles que trabalham mais e reclamam menos. São os que falam menos e apresentam mais resultados. São os que não lutam contra a ciência, não são negacionistas e que sabem ouvir. Quando se faz isso, o resto vem. Nada supera o trabalho. Nada.

Você deve perguntar: Mas e aí Guto? Não vai falar sobre a situação do Brasil neste caso? Não. Tenho certeza que você, leitor do R7, tem capacidade suficiente para tirar suas próprias conclusões. ;-)

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