O Conservador Tecnológico A adoção de jovens por casais LGBT e o Conservadorismo - Parte 1

A adoção de jovens por casais LGBT e o Conservadorismo - Parte 1

A miopia de uma discussão que deveria ser simples acaba por se transformar em um cabo de guerra entre radicais e fundamentalistas. E só quem perde é a sociedade brasileira

Ter uma família é ter uma casa. E ter uma boa casa é ótimo para a sociedade

Ter uma família é ter uma casa. E ter uma boa casa é ótimo para a sociedade

Pixabay

Sim, sou conservador na defesa moral e liberal na questão econômica. Prefiro sempre começar reafirmando minha posição para que você já saiba a linha que seguirei nos meus textos. Ser Conservador é ser PRUDENTE, CÉTICO, RACIONAL, respeitar as instituições do passado e buscar evoluir com a sociedade, preservando uma moral adequada ao seu funcionamento. O conservador, sempre, repito, sempre olhará o bem maior para a sociedade antes de defender sua posição. Ponto.

Esta discussão da adoção de crianças e adolescentes por casais homoafetivos costuma despertar, de lado a lado, sentimentos primitivos em quem se envolve com o debate. Mas o meu texto é direcionado a você, do espectro de pensamento conservador, seja professante de alguma religião seja ligado puramente ao racionalismo. O debate costuma não ter um andamento adequado porque muitos já começam argumentando de forma equivocada: "Eles são gays e não uma família tradicional como está na Bíblia". Ou mesmo: "Eles vão adotar e depois ensinarão a criança e o adolescente a serem gays também". Tem outro argumento que gosto muito de estudar: "Imagine uma reunião de escola e aparecem dois pais ou duas mães". A falha destas pseudo argumentações está justamente em não investigar suas próprias colocações. Não existe, ao menos que eu saiba, no mundo, algo empírico, que prove que a adoção de crianças e adolescentes por casais homoafetivos tem o ensinamento, em casa, ao adotado, para que também sejam LGBTs. Como se houvesse uma cartilha. Até por quê esta dúvida, a princípio, não faz o menor sentido, uma vez que temos LGBTs em famílias hetero.

Esta falta de provas e debate raso faz com que se desvie da verdadeira pergunta que o pensamento Conservador propõe para este tema, que é:

O QUE É MELHOR PARA A SOCIEDADE EM CASOS DE ABANDONO OU VULNERABILIDADE SOCIAL DE UM CRIANÇA OU ADOLESCENTE?

Para a sociedade, é melhor uma criança ou adolescente morando na rua, em algum abrigo, com fome, sem lar, carinho, educação, amor e comida e exposto à sua própria sorte ou seria melhor que esta criança ou jovem tenha casa, comida, amor, um lar e educação? Perceba que nesta primeira pergunta, que é central para nossa discussão, tanto faz quem sejam os pais e mães, desde que cumpram com o sentido moral de acolhimento completo desta pessoa em desenvolvimento. Na escala VALORATIVA, a questão é esta. Eu não pergunto se são heteros ou gays. Eu pergunto qual o maior benefício para a SOCIEDADE. Ponto.

E sob este ponto, não há dúvidas de que os Conservadores deveriam apoiar sim a adoção por casais homoafetivos, uma vez que, para a sociedade, o bem maior reside em que esta criança ou adolescente tenha a proteção adequada. Importante lembrar que o processo de adoção no Brasil tem melhorado muito no quesito tempo e as entrevistas das assistentes sociais costumam ser muito profissionais e técnicas. Importante lembrar também a quem deseja seguir um caminho de comportamento conservador que caráter não é uma questão que possa ser atribuída ao fato deste ou daquele ser homossexual ou heterosexual. 

Portanto, de forma clara, podemos afirmar que, do ponto de vista de uma escala valorativa nos conceitos conservadores, a adoção por casais homoafetivos não causa prejuízo algum à sociedade. Porém, existem questões posteriores a esta primeira que devem também ser respondidas e no próximo texto tentarei entrar mais fundo nos debates sobre a importância dos papéis de pai e mãe. O importante é tentar sempre se posicionar à luz da racionalidade, sem entrar na onda das militâncias, que de fato não apresentam nada além de um debate baseado na suposição e no discurso raivoso.

Até a próxima. Sextou ;-)

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