O Conservador Tecnológico A Fé e a Política devem ser inteligentes e não passionais

A Fé e a Política devem ser inteligentes e não passionais

Virou modinha do politicamente correto dizer que pessoas de fé, sobretudo evangélicos não poderiam estar na política. Será mesmo?

A soberana Constituição brasileira

A soberana Constituição brasileira

BBC BRASIL

Ok. Sei que o tema é polêmico, mas precisamos falar dele. Sempre à luz dos conceitos conservadores. Na história do mundo, fé e política sempre estiveram ocupando parte dos mesmos espaços. Seja na cultura Vicking, na Ocidental, no Egito ou Grécia antiga, na China ou Japão feudais, na própria Bíblia e até mesmo durante séculos nos objetivos de conquista e reconquista de Jerusalém. Se em parte se reclama por esta discussão acontecer ainda hoje, também temos de reconhecer que uma parte da evolução das sociedades se deu justamente por esta convivência. A base de decisão do ser humano é absolutamente indissociável dos seus conceitos aprendidos e interiorizados até determinado momento da vida, incluse os religiosos.

Um juiz quando toma uma decisão, um parlamentar quando defende a aprovação ou o arquivamento de um projeto de Lei, você, quando toma uma decisão na sua vida pessoal. Ainda que no lugar mais profundo da sua alma ou caracteres psíquicos do seu ser (a tal da psiquê), suas decisões levarão em conta política e religião (ao menos para a esmagadora parcela da população brasileira). E o motivo é simples. Fazemos política desde o primeiro choro em nosso nascimento e temos uma base de formação predominantemente religiosa no Brasil. 

De acordo com o IBGE, em seu senso de 2010, 86,8% dos brasileiros são cristãos, sendo 64,6% católicos e 22,2% evangélicos. Logo depois vem os que se declaram sem religião definida, com 8% e ainda depois espíritas e outras totalizando 5,2%. E mais interessante ainda é o dado sobre os sem religião. Dos 8% que citei, 73% afirmam ser agnósticos e ateus. Porém, 16% dos 8% afirmaram ser mais próximos do cristianismo. Infelizmente, temos vivido no Brasil uma guerra de narrativas que prejudica e muito uma discussão racional sobre o tema. Uma prova clara disso aconteceu em dois casos emblemáticos. O primeiro, sobre a reportagem do médico sanitarista Drauzio Varella, quando entrevistou a transexual Suzi Oliveira, com um viés para lá de humanitário. O problema é que logo depois de uma comoção de parte do público veio a tona o crime cometido por Suzi, estupro seguido de assassinato por estrangulamento de uma criança de 9 anos. Os progressistas se calaram e os radicais conservantistas tomaram conta do debate. O outro é mais recente e envolve a até o momento deputada federal e pastora Flordelis de Souza, acusada de assassinar o marido e também pastor, Anderson do Carmo, inclusive com a ajuda de parte dos filhos, com quem mantinha uma rotina que poderia ser descrita como a repetição dos pecados de Sodomo e Gomorra. Neste caso, a maior parte dos conservadores se calou (de forma equivocada sem a menor sombra de dúvida) e os progressistas radicais retomaram o controle da arena.

Nos dois casos, política e religião (ou crença/fé) se misturam. Nos dois casos os extremos assumiram posições que nada ajudaram ao verdadeiro debate. Em que pese Felipe Neto e Silas Malafaia, dois ícones em seguidores nas redes sociais, cada um com seu público, serem de fato ótimos argumentadores, as posturas radicais que defendem são prejudiciais ao bom debate que deveria ser feito pela sociedade. O Brasil não pode ser prepresentado (e aqui é uma opinião minha) por nenhum dos dois. Aí é melhor trazer um meteoro de uma vez. Nem todo transexual deveria ser julgado na conta de Suzi e nem todo evangélico deveria ser colocado na cota de Flordelis. A infinita maior parte destes segmentos não são bandidos e assassinos. São pessoas boas, honestas e não deveriam ser colocados na lama de criminosos ou possíveis criminosos. Não faz sentido.

Ou tro ponto é que as pessoas tem confundido muito Estado laico e laicista.No Estado laico, você pode seguir com a sua fé, independente do espaço que ocupa. Você é livre para isso desde que também respeite a opção do outro. A escola, o parlamento, o meio jurídico. É legítimo. Claro, que na medida do possível, a decisão deve ser sempre racional e em respeito à legalidade das Leis. Assim pensam os bons Conservadores, como as lições do grande e icônico Rei Salomão. Mas não há sombra de dúvida que sua crença influencia nas tuas decisões. Seria hipócrita e ignorante não aceitar isso. Já no Estado laicista, você não tem esta liberdade. É perseguido pela sua fé. Apenas aquela que lhe é determinada deve ser aceita e professada. Certamente não é um local que gostaríamos de viver. Ao menos eu não gostaria. Devemos entender que fé e política podem sim conviver em um mesmo espaço, desde que as pessoas, sobretudo as com mandato eletivo, entendam a responsabilidade de suas decisões com base no racional. 

A turma do politicamente correto e a turma do radicalismo (progressista e religioso) deveriam se envergonhar. Não há problema em debater ou ter participação de quem quer que seja na política. Apenas animais sem o menor senso de racionalidade e hipócritas venenosos colocam uns contra os outros em um debate raso e com argumentação odiosa. Deixo a vocês, todos, ainda que me considere ecumênico, mas crente na Santíssima Trindade, um texto de João 13:34-35:

"Um mandamento novo vos dou, que VOS AMEIS UNS AOS OUTROS; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto conhecerão todos que sois meus Discípulos, se vós tiverdes amor uns entre os outros." Jesus.

Há mais de dois mil anos. Já era para termos aprendido não? ;-)

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