Guto Ferreira A herança do Conservadorismo pelas histórias de Super Heróis

A herança do Conservadorismo pelas histórias de Super Heróis

Muita gente gosta. Muita gente curte. Muita gente compra, lê e vê. Mas poucos sabem que por trás de cada super, existe uma construção filosófica, que de uma forma ou de outra impacta na sua vida

A Tropa dos Lanternas Verdes e seu poder da Força de Vontade

A Tropa dos Lanternas Verdes e seu poder da Força de Vontade

Divulgação

Sempre digo que o conservadorismo costuma se apresentar de formas tão simples que as pessoas nem percebem. Uma destas formas é a minha favorita: os super heróis ou heroínas. Cresci lendo muitos quadrinhos, sempre com personagens da Marvel e da DC Comics. Ao longo dos anos pude entender mais que as histórias muito legais que eu lia. Consegui estudar e compreender a filosofia por trás dos supers, e é sobre isso que vamos falar hoje.

Os supers tem ajudado milhões de pessoas a superar medos, repensar opiniões, mudar a visão de mundo e até mesmo encontrar seu lugar nele. De certa forma, são a visão mais lúdica e agradável, em tempos modernos, da filosofia clássica.

Praticamente todos os assuntos do nosso dia a dia são trabalhados em um arco de histórias de super heróis ou heroínas. Auto estima, comprometimento, preconceito, aceitação, fé, política, família, racionalidade, perda de controle emocional, sentimentos afetivos, enfim, tudo. Então vamos lá. Separei alguns supers que tenho grande admiração e que me ensinaram muito ao longo dos anos.

Começamos com o Hulk (Bruce Banner). Conhecido como um dos cientistas mais inteligentes do mundo, quando o seu emocional está abalado ele se transforma no gigante esmeralda, uma criatura verde, grande e descontrolada, que se deixa dominar pela fúria completa. A lição que podemos aprender com o Hulk é justamente esta. Não adianta ser muito inteligente se o seu emocional está fora de controle. Quando a irracionalidade toma conta das suas ações, nada de bom virá deste momento.

Outra super que gosto bastante é Vampira (Anna Marie), do grupo chamado X-Men, mutantes que protegem a humanidade mesmo sendo, em parte, odiados e não compreendidos por ela. Por conta de sua mutação genética e seus poderes, Vampira não pode tocar ninguém sem luvas, para não absorver as memórias daquela pessoa e machucá-la. Perceba a complexidade da situação. Um dos principais sentidos do ser humano é o tato. Não poder tocar quem você ama, com as maos nuas, pelo medo de machucá-la, deve ser terrível. Ainda assim Vampira nos ensina a desenvolver resiliência quando temos barreiras emocionais envolvidas, como a falta de tato.

É verdade que o mundo dos supers é ainda muito masculinizado. Isso se deve bastante ao fato de que o período em que muitos dos heróis foram criados era dominado por uma mentalidade mais voltada ao homem e ao seu protagonismo na sociedade. Isso mudou muito a partir da década de 90 nas HQ's, e nos cinemas a partir do final de 2010, quando o filme da Mulher Maravilha entrou em cartaz. E aqui cabe um ponto de exclamação. Até então, outras super heroínas já haviam sido retratadas nas telonas, mas a predominância sempre foi mais na linha de "princesas" - o que não é ruim diga-se, afinal, a mulher pode e deve estar no papel que melhor lhe couber e de personagens coadjuvantes. Mas o filme da Mulher Maravilha, lançado em 2017, fez com que as mulheres pudessem ter um outro referencial de inspiração. A Mulher Maravilha (Diana Prince), é filha de Hipólita (rainha guerreira das Amazonas) e de Zeus (o Deus mais poderoso do Olimpo - aqui você já percebe a referência filosófica/conservadora na criação da personagem). Diana é uma imortal, tem super força e invulnerabilidade, pode voar e tem o laço da verdade. Poderia ser arrogante por ter todos estes poderes, porém, os anos, a ensinaram a ensinaram muito. Além do legado histórico que a personagem carrega, Diana nos mostra que é possível se manter fiel às suas origens, com respeito ao passado e ainda sim buscar uma evolução e adaptação ao mundo moderno. Tudo o que pregamos no conceiro de Conservadorismo Tecnológico. Ahhhh sim. Diana, a Mulher Maravilha, sempre busca a JUSTIÇA.

Outro herói incrível e que nos ensina muito é o Capitão América (Steve Rogers). Independente do seu uniforme ser nas cores da bandeira americana, uma criação patriótica proposital no início da década de 40, durante a 2a Guerra Mundial, a maior lição que o Cap. nos dá é a LIDERANÇA PELO EXEMPLO. Ele não é mais forte que o Thor (Deus de Asgard), nem mais inteligente que o Homem de Ferro (Tony Stark, gênio e bilionário), mas é o líder dos Vingadores. Por que? Porque todos sabem que ele e o primeiro a chegar e o último a sair. Reconhecem nele valores sólidos e inegociáveis, de quem defende sua equipe e inspira a todos pelo seu exemplo. Se você está buscando uma figura lúdica para aprender mais sobre liderança, não há dúvidas. O personagem é o Capitão América.

Wolverine (Logan) é um personagem que tem um lugar especial nas minhas análises. Se você pegar superficialmente o personagem e estudá-lo, provavelmente irá reparar que ele é temperamental, meio briguento e um pouco sem paciência. Mas esta é uma pegadinha. Não é isso o que define o Wolverine (seu nome é Logan). Sua mairo lição é a busca de um caminhar com HONRA. A contrução filosófica de Wolverine tem muito a ver com a sabedoria dos samurais. Isso traz uma complexidade única ao personagem, uma vez que ele vive a maior parte do tempo no Ocidente e muitas vezes estes valores não são tão levados a sério. E acredite. Isso deixa Wolverine muito bravo. A honra também é acompanhada pela LEALDADE e pelo seu SACRIFÍCIO pelas pessoas que ama e quer proteger.

Como eu disse, todos os grandes personagens tem uma grande construção filosófica além da aparência. Como o Batman (Bruce Wayne) você aprenderá muito sobre RACIONALIDADE e INVESTIGAÇÃO. Com o Flash (Barry Allen ou Wally West - meus favoritos), o homem mais rápido do mundo, entenderá que de que nada adianta ser veloz se não souber pra onde vai. Com os Lanternas Verdes, você entenderá o poder (e que poder) da FORÇA DE VONTADE. E até com o joven (sempre) Homem Aranha (Peter Parker ou Miles Morales, seremos lembrados de que "Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades" frase do Tio Ben. Mas vou encerrar com o considerado maior herói de todos os tempos: O Super Homem. E que construção filosófica maravilhosa. O Super Homem é a personificação da ESPERANÇA e . Ele, um alienígena, enviado para a nossa Terra ainda bebê e que exposto a luz solar (do nosso Sol amarelo - sim, o do planeta de origem dele é de outra cor), se torna o ser mais extraordinário do planeta. O Super Homem crê, em sua fé inabalável, que a humanidade sempre poderá evoluir. Que as coisas boas são uma corrente necessária e que a luta pela justiça é dever de todos. Ele acredita na humanidade mais que a própria humanidade.

Também podemos buscar construções filosóficas em todos os personagens criados pelos gênios Walt Disney e Mauricio de Sousa por exemplo. Assim como podemos encontrar conservadorismo e filosofia em diversos personagens japoneses também, como os Cavaleiros do Zodíaco (criados por Masami Kurumada), Pokemon (Game Freak) e Dragon Ball Z (Akira Toriyama). Enfim.

O importante deste texto é você "olhar além do alcance". Perceber que o conservadorismo também se apresenta "de" e "em" formas lúdicas e divertidas. As construções do passado podem e devem ser atualizadas, assim como os quadrinhos e os super heróis ou heroínas, sem que percam a sua essência, passadas de geração para geração das mais diversas formas.

Bom fds. Sextou. ;-)

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