A região amazônica é o Brasil da nova era

Depois de décadas de abandono, chegou a hora de reconhecer a região Norte do país como o motor da economia do futuro. Estamos prontos para virar a chave?

AME2670. BRASILIA (BRASIL), 15/07/2020.- El vicepresidente de Brasil, Hamilton Mourao, habla durante una conferencia de prensa este miércoles, en el Palacio Itamaraty de la ciudad de Brasilia (Brasil). El Gobierno brasileño se comprometió ha adoptar "las medidas posibles" para contener la deforestación en la Amazonía, presionado por inversores que amenazan con retirarse del país si no se le pone coto a esa degradación. Seremos evaluados por la eficacia de nuestras acciones y no por la nobleza de nuestras intenciones", admitió Mourao tras una reunión de un concejo gubernamental que busca "soluciones para la Amazonía", en momentos en que en esa región ya se registra un elevado número de focos de incendios. EFE/ Andre Borges

AME2670. BRASILIA (BRASIL), 15/07/2020.- El vicepresidente de Brasil, Hamilton Mourao, habla durante una conferencia de prensa este miércoles, en el Palacio Itamaraty de la ciudad de Brasilia (Brasil). El Gobierno brasileño se comprometió ha adoptar "las medidas posibles" para contener la deforestación en la Amazonía, presionado por inversores que amenazan con retirarse del país si no se le pone coto a esa degradación. Seremos evaluados por la eficacia de nuestras acciones y no por la nobleza de nuestras intenciones", admitió Mourao tras una reunión de un concejo gubernamental que busca "soluciones para la Amazonía", en momentos en que en esa región ya se registra un elevado número de focos de incendios. EFE/ Andre Borges

Andre Borges/EFE - 15.07.2020

Hoje vamos de desenvolvimento econômico leitor. Por ao menos 30 anos o Estado abandonou os povos da região Norte do Brasil. Os amazônidas, como são chamados as pessoas que moram na região amazônica, tem cultura, tem valor e tem criatividade. Mas sempre faltou estrutura, políticas públicas decentes e eficazes, além de uma visão estratégica mais apurada por parte dos gestores públicos, que tirasse do debate os eco chatos e os desmatadores e colocasse no centro da discussão os desenvolvimentistas inteligentes.

Talvez você não saiba, mas estados como Roraima e Amapá tem mais 60% do seu território como reserva, ou seja, não podem ou não deveriam ser desmatados. Por um lado, isso obviamente representa uma maior preservação das matas nativas. Porém, também representa um desequilíbrio, uma vez que a população cresce e não encontra resposta do aumento da capacidade produtiva e na geração de trabalho e emprego. Consequentemente a renda também fica estagnada. Bom lembrar que desenvolvimento sustentável não é uma utopia e nem uma ideia de um grupo ideológico. Desenvolvimento sustentável gera valor, gera dinheiro e preserva cultura e território.

Por décadas, as políticas públicas privilegiaram o eixo Sul-Sudeste. Nos últimos anos o Nordeste entrou na rota de investimentos também. Mas o Norte nunca. Sim, é verdade que temos lá a Zona Franca de Manaus (já precisando de um novo modelo para os próximos 10 anos). Temos também o Centro de Biotecnologia da Amazônia - com um potencial nunca explorado e abandonado por anos, sem que criasse o valor para o qual foi pensado. E temos muita, mas muita pirataria das riquezas naturais da região. Recentemente, a Amazônia passou a ser tema em todo o mundo novamente. Por trás do assunto das queimadas (algumas de fato criminosas, causadas por radicais de ambos os lados ideológicos) existe um assunto maior. Este sim deveríamos dar mais atenção. A importância geopolítica da Amazônia é fundamental para nossa soberania, e as riquezas biológicas podem significar uma vantagem estratégica neste novo mundo que se apresenta. Remédios, vacinas, cosméticos, super foods. O Brasil terá o desafio de resolver problemas novos. E deveria resolvê-los com dinheiro novo. E advinhe onde ele está? Simmmmm. Em terras amazônicas. 

O Conselho Nacional da Amazônia é presidido pelo vice presidente da República, General Hamilton Mourão e antes que você torça o nariz pelo simples fato dele ser militar já adianto: ter um militar nesta posição, neste momento, com a capacidade estratégica que tem e entendimento profundo da geopolítica é um dos melhores cenários que poderíamos ter. Sob os debates do CNA estão, inclusive, a estratégia do que deve se tornar a região. E aí meu ponto de vista é claro. Deve-se compreender a territorialidade de cada estado amazônico. Suas características únicas e seu potencial de produção, sobretudo de produtos que possam contar com Indicação Geográfica, um "selo" que valoriza e muito o produto local e determina a ele suas características únicas, além de agregar um valor absurdo em caso de exportação. Ouvi de uma empreendedora e moradora da região que devemos encarar os produtos da região como "caviar", ou seja, uma iguaria de luxo. Isso não saiu mais da minha cabeça. Ela está correta. 

Outro ponto é ouvir, e ouvir muito, os empreendedores, empresas e agentes públicos e de fomento (os competentes e ágeis por favor) da região. Levar um fórmula pronta, da bolha chamada Brasília, certamente não será o melhor caminho. Do pirarucu ao açaí. Do café à soja. Do artesanato à alta tecnologia. Da extração sustentável ao turismo. Absolutamente todo o conhecimento que precisamos ter para que a região avance já estão lá. Neste novo mundo, nesta nova era, onde o 5G chegará, a biotecnologia avançará como nunca e nós temos uma Amazônia para chamar de nossa, mais do que preservar, devemos usá-la de forma responsável e levar desenvolvimento econômico às pessoas da região.

Ao VP Mourão envio meu recado: em suas mãos está não apenas a soberania nacional por conta da importância do território Amazônia, mas também pode estar o futuro da economia do país. Que tenhamos visão e senso de urgência. Que possamos trazer os amazônidas para a engrenagem econômica do país definitivamente. E que finalmente possamos dar à região Norte, seus estados e sua população o que eles merecem há décadas: respeito, investimento e desenvolvimento econômico e social. A chance e o momento são únicos. E a missão está dada. Brasil !

 

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