A utopia de um Brasil decente, unido e rico. 

Neste carnaval, escancaramos nosso desprezo por regras básicas e nosso abandono pela empatia ao próximo. No mundo paralelo de Bolsonaro, vacinar 5% da população já significa voltar ao normal. A conta vai chegar.

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04/02/2021 Inauguração do Centro Nacional de Treinamento de Atletismo - CNTA
(Cascavel - PR, 04/02/2021) Presidente da República Jair Bolsonaro convida as demais autoridades a participarem de uma corrida na pista do CNTA.

Foto: Alan Santos/PR

Palácio do PlanaltoSeguir 04/02/2021 Inauguração do Centro Nacional de Treinamento de Atletismo - CNTA (Cascavel - PR, 04/02/2021) Presidente da República Jair Bolsonaro convida as demais autoridades a participarem de uma corrida na pista do CNTA. Foto: Alan Santos/PR

Alan Santos/PR - 04.01.2021

O enredo estava pronto. Mas o planejamento não. Nunca esteve nem nunca existiu. Fizeram o brasileiro acreditar que todos seriam vacinados ainda em 2021. O ministro da saúde disse em audiência pública que até junho metade da população estaria vacinada. Fizeram o brasileiro, pobre, rico, branco, preto, empregado e empregador acreditarem que a economia estava retomando em V. Fizeram o brasileiro, já pouco afeito a seguir regras básicas, acreditar que a máscara não funciona, que tomar a vacina "da China" e não do Butantã poderia transformá-lo em jacaré. Fizeram tantas coisas. Contaram tantas mentiras, das econômicas de Paulo "Zélia Cardoso" Guedes às sanitárias de Jair "Messias de quem?" BolsoNero.

Fizeram o brasileiro acreditar que o problema de oxigênio em Manaus estava resolvido. Ao invés de vacinas, vamos dobrar o número de armas que um civil pode ter em sua casa. É sério que você acha isso ok? Viramos o Rambo ou o John Wick agora? Fizeram a ciência ser diminuída. O brasileiro acreditou que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, general do exército brasileiro, era um especialista em logística. Pobre do Exército brazuca se depender dele para a logística em tempos de guerra. E sim, sou fã do EB, mas Pazuello não dá. É uma vergonha ambulante. Para todos.

Agora estamos no Carnaval. Mesmo sem trabalhar boa parte de 2020, tem gente que reclama de ter que trabalhar agora. Não pode prejudicar o "feriado". As imagens de festas clandestinas, de aglomerações em bares e barcos mostram o país que o presidente BolsoNero prega. Vamos nos rebelar contras as regras. Uhuuuuuuu. Vamos nos levantar contra o judiciário, as normas e tudo o que está colocado pelo status quo. Ahuuuu. Ahuuuu (como diziam os espartanos). Triste Brasil. Que comemora uma festa e abandona suas obrigações e responsabilidades. Triste país, que promove a incompetência e comemora o caos. Não compreendemos o básico da empatia. Triste nação, comandada por um louco, inconsequente e incompetente, com apoio popular cada vez menor é verdade, mas ainda com apoio político. 

Triste povo brasileiro, que vê seus irmãos morrendo por falta de oxigêncio e não se levanta. Não grita. Se cala. Somos o Brasil das bananas e do leite condensado. Do eterno picadeiro onde pagamos para ver o show em que somos os palhaços. Este erro nos custará caro no futuro próximo. Mais até do que no passado. Escolhemos ser pequenos. 

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