O Conservador Tecnológico Como a tecnologia pode mudar a cara e o coração das favelas

Como a tecnologia pode mudar a cara e o coração das favelas

Na véspera das eleições municipais, as políticas públicas propostas pelos candidatos em todo o país permanecem deixando invisíveis aqueles que mais precisam. Está na hora de tomarmos vergonha na cara. 

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Andrea Piacquadio/Pexels

As políticas públicas no Brasil, em sua maioria, sempre seguiram uma forma de construção ultrapassada. Tanto que boa parte delas já nasce precisando de uma adequação. Nunca olharam pelo ponto de vista do cliente (a população). Também nunca compreenderam a lógica de se questionar qual problema aquela política pública resolveria. A lógica sempre foi a do interesse eleitoral. Estas construções, via de regra, sempre foram feitas dentro de um confortável escritório ou gabinete político, regado a mordomias e longe da realidade brasileira. Pois bem. Não dá mais para adiar a mudança. Já perdemos a década economicamente falando. No mínimo devemos estar preparados para a próxima.

Esta forma atrasada de pensar, planejar e executar custou muito, socialmente falando, ao país nos últimos 30 anos. A falta de visão e coragem dos gestores públicos e a burocracia do Estado, empurraram, cada vez mais, os moradores de comunidades e favelas para a periferia econômica desta nova roda digital que predomina no mundo moderno. Quer ver um exemplo?

Por décadas, quando se falava em favela, os projetos eram sempre os de incentivar a cultura do hip hop, do rap, do funk, samba, escolinhas de futebol (que tem seu mérito de afastar os jovens do tráfico), e microempreendedores (notadamente costureiras e pequenos comércios). E veja. Isso também é importante. Mas se tornou insuficiente para este novo mundo. Se tornou uma bola de aço presa aos pés dos jovens, reféns cada vez mais das migalhas do Estado brasileiro (em todos os níveis) e suas propostas, com fim de manter unicamente um bom curral eleitoral. Se tornou insuficiente para esta molecada que já nasce conectada (em maior ou menor grau, mas nasce), esperando algo grandioso para o seu futuro. Mas este é o ambiente comum das políticas públicas de pão e circo. Como conservador que sou e apaixonado por tecnologia, defendo uma nova abordagem. Incetivar os temas acima permanece sendo importante, mas não vão incluir a nova geração na roda econômica digital. Ao contrário. A permanecer com esta lógica, estaremos fortalecendo a próxima massa de quebrados do país. Excluídos da revolução digital, que após esta pandemia caminha com cada vez mais velocidade e força. 

Um exemplo que gosto muito de acompanhar é um moleque "sangue bom" chamado Murilo Duarte, de um portal chamado Favelado Investidor. Tem outros jovens que vieram da ou atuam nas favelas com negócios sociais incríveis, como o Moradigna, 4YOU2 e Saladorama, dentre dezenas. Gosto do Rick Chester e do Edu Lyra também. Em Paraisópolis, o líder comunitário, Gilson Rodrigues colocou na cabeça que fará a comunidade ser um enorme polo de negócios organizado. E parece que está indo muito bem. Eu mesmo já estive lá falando da 4a revolução digital para os jovens. A verdade é que se queremos, realmente, dar uma chance desta galera ocupar o lugar a que eles têm direito, devemos, agora, transformar a antiga favela em uma Favela Tech. Você, se for gestor público, talvez ache que este texto é romântico demais. Eu afirmo que isso não acontece pela sua falta de coragem e incompetência do poder público. Não há mais tempo para debates intermináveis. As favelas devem ser celeiros, não de improváveis jogadores de futebol ou artistas musicais, mas sim de investidores, programadores e startupers. O ensino de robótica, finanças e programação já deveria estar a todo vapor nas escolas municipais e estaduais em todo o país. Ensinar a fazer um pitch, explicar como funciona uma B3 (nossa bolsa de valores), aprender arduíno (no mínimo) e até mesmo como fazer ou buscar investimento. 

É inacreditável que estejamos perdendo esta (mais uma) janela de possibilidades. Uma pandemia (que acelera o processo de inovação), o fortalecimento dos negócios digitais, a geração mais conectada da história e oportunidades gigantes pela frente. Mas advinha: Ficamos presos em um debate de macacos babuínos raivosos sobre a política de A ou B, quem ganhou com a vacina A ou B. entendam. Este é o debate que eles querem que você tenha. Sabe por quê? Porque é o debate dos infelizes, alienados e despreparados, sem a menor noção de como nos levar ao degrau superior. É o debate do ódio, da divisão, que vai te prender em uma disputa Fla x Flu nas redes sociais enquanto eles escondem a sua inépcia e incompetência em resolver o seu problema leitor.

Este é o momento em que o conservadorismo tecnológico deve ocupar seu lugar nos debates da coisa pública. E o melhor espaço para executar este novo modelo são as favelas e comunidades por todo o Brasil. A tecnologia, por si só, já tem o poder de mudar a realidade de milhões de jovens que vivem à margem do sistema econômico. Basta fazer. 

Ao final desta semana teremos eleição em mais de 5.000 municípios. Quem não apontar para este caminho deve ser excluído sumariamente da sua possibilidade de voto. Lembre-se disso para depois não dizer que eu não avisei.

Favela = Tecnologia. 

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