Minha carta aberta aos cristãos do Brasil

Tempos estranhos. Tempos confusos, onde o mal se fantasia de bem e consegue enganar a muitos. A idolatria se manifesta pelo discurso simples de um presidente alienado. Perdido, o povo se volta para sua fé. Mas qual fé?

Jesus Cristo. Ele não precisava de pulseira. Bastavam amor e ações.

Jesus Cristo. Ele não precisava de pulseira. Bastavam amor e ações.

Divulgação

Hoje me dirijo a você. Evangélico, católico ou simplesmente você que crê em Deus, Jesus e no Espírito Santo. Sempre afirmo que sou ecumênico e que a minha fé nesta trinca é absolutamente inabalável. Mas confesso que ando triste.

Hoje li uma matéria onde uma filha publicou sua última mensagem trocada com sua mãe, internada pela COVID 19 e que veio a perder a vida. Na mensagem a filha diz para a mãe continuar viva, pois precisa que ela a veja se formando. E termina com “eu te amo”. Não deu tempo. Enquanto escrevo, mais de 260.000 irmãos mortos e o presidente da república, na sua insignificância diz: "Quer vacina? Vai buscar na casa da sua mãe".

Fico pensando se somos uma nação cristã de verdade. Já passou da hora de você questionar seu apoio a Bolsonaro. Sim, ele fala em Deus. Sim, ele usa uma pulseira com texto bíblico. Mas ele segue um guru esotérico ocultista, que já fez até parte de seitas, como mentor de seu (des)governo.

Bolsonaro não é cristão. Desculpe te informar. Você consegue imaginá-lo comandando um culto ou uma missa? Consegue mesmo imaginar? Os palavrões, as ofensas, o ódio gratuito sendo falado em alto e bom tom na sua igreja ou templo? Sério? É este o cristianismo que você prega? Que defende? Te desafio a me mostrar uma única passagem na Bíblia onde Jesus tenha agido assim com o povo, injustamente. Te desafio a me mostrar uma passagem onde Jesus zomba dos mortos e dos ENFERMOS. Ou onde ele pregue a separação pela discriminação e pelo ódio e não a união pelo amor.

Humildemente, te desafio cristãos.

Bolsonaro não honra nem honrará nem Deus, nem Jesus. Ele promove coisas ruins, como pecados capitais. A Ira, Soberba, Inveja e Preguiça. Se considera um escolhido por ter a palavra messias no nome. Mal sabe ele que Messias (com M maiúsculo) há apenas um. E ele é humilde. E ele ama. E ele protege e acolhe. A todos.

Não cristãos. Bolsonaro não é um de nós. Você consegue imaginar Bolsonaro na sua igreja ou culto fazendo piadas racistas? Com aquele vocabulário agressivo, de palavras chulas. Duvido que você colocaria Bolsonaro como líder da sua casa, da sua família, da sua fé ou da sua empresa.

Fico pensando em como nosso Deus vivo está triste agora. Sim, triste. Ou você acha que ele está rindo, gargalhando como Bolsonaro com uma pilha de filhos seus mortos, muitos deles pela negação, pela teimosia, pelo orgulho e pelo ódio do Presidente da República? Que povo de Deus é este que protege quem não respeita os mortos e sua história e fé? Que povo de Deus é este que defende e idolatra um líder de pés de barro e abandona seu próximo? Eu creio que Jesus está chorando sim. Porque nos deu o livre arbítrio e viramos animais, liderados por irracionais. Pelo que eu saiba e a Bíblia tem diversos casos como este, todo líder que fez seu povo gemer, caiu, padeceu, foi derrotado. Ou você só segue a Bíblia dentro do seu local de oração?

Será que Deus, na sua imensa sabedoria não espera que façamos algo? Sim, eu sei que 2018 foi um ano onde tivemos que tomar uma decisão. Mas passado dois anos, vendo este comportamento absolutamente anti-cristão do presidente, deveríamos ter vergonha. Dobrar nossos joelhos e pedir perdão. Deveríamos nos abraçar como Jesus gostaria que fizéssemos e apoiar quem mais precisa. Bolsonaro é apenas mais um a enganar o povo que muitas vezes só tem a fé como apoio. Aliás, povo de Deus? Somos mesmo? Fazemos jus a isto? Vou dar um exemplo a você meu irmão e minha irmã e depois disso você vai decidir, na sua conversa com Deus, que tipo de cristão você é ou se engana de ser.

Estamos em 2022 e temos de fazer uma escolha. Na nossa frente, um juiz, como Pôncio Pilatos, nos apresenta dois homens e temos de definir com quem queremos conviver. Um deles prega o amor, o cuidado com o próximo, com os mais necessitados. Em seus olhos pode-se ver os ensinamentos mais lindos que poderíamos querer. Seu nome é Jesus. Do outro temos o ódio, o desprezo pelas vidas perdidas, pelas famílias que choram, o ego e o orgulho acima de tudo. Seu nome não é Barrabás. É Bolsonaro. Você cometeria o mesmo erro histórico?

Falsos deuses e a idolatria não devem fazer parte da vida de um cristão na hora do voto.

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