Os avanços tecnológicos e o novo mercado de trabalho

As mudanças tecnológicas que estamos enfrentando e adotando são apenas a ponta do iceberg. Você está pronto para um novo mundo todos os dias ou prefere reservar seu lugar em um museu?

Encare o amanhã de frente e abrace o mundo tecnológico

Encare o amanhã de frente e abrace o mundo tecnológico

Reprodução/Sony

O amanhã será caótico. A tecnologia destruirá todos os empregos e a humanidade será substituída por máquinas, podendo até mesmo ser escravizada. Você já deve ter ouvido isso na TV ou em algum filme apocalíptico. Então calma. Nem tudo é o que parece, mas de alguma forma, estas previsões estão se tornando realidade muito rápido. Vamos lá.

Segundo o último relatório sobre o futuro do emprego do Fórum Econômico Mundial, mais de 60 milhões de empregos desaparecerão até 2025. Em contrapartida, mais de 85 milhões de novas funções serão criadas. Mas o que isso quer dizer de fato? Podemos começar reforçando que SIM, uma parte das funções que conhecemos hoje desaparecerão em breve. E muito disso se deve à pandemia da COVID 19. As pessoas foram literalmente empurradas a consumir e compreender minimamente o ambiente digital. E estão gostando cada vez mais desta comodidade e praticidade. O Home Office e o Tele Trabalho viraram uma realidade, fazendo o mundo da geração Z mais feliz e virando de cabeça para baixo as gerações anteriores, que naturalmente tem cada vez mais dificuldade em se adaptar. E pasmem, isso é normal. A geração Z é a primeira geração nativa digital. A milênio, que vem com os nascidos de 1980 a 1996 é uma geração de transição e as anteriores a ela são menos conhecedoras das novas tecnologias. 

Fato é que em um país do tamanho do Brasil, conceitos como indústria 4.0 ou internet das coisas dependem muito do avanço e investimento governamental ainda. Não somos Israel ou Coreia do Sul e estamos longe de ter o poder financeiro para investir de Alemanha ou Estados Unidos. Logo, a violenta transformação da sociedade brasileira analógica em digital demorará ao menos 10 anos para atingir boa parte de sua plenitude (sobretudo se o 5G emplacar mesmo). Mas os trabalhos e empregos nao devem demorar uma década para se transformar. E aqueles que não se adaptarem, não importa a idade, certamente terão problemas. Vamos aos exemplos. Em muitos supermercados brasileiros já se percebem máquinas de self checkout por exemplo. Você mesmo passa suas compras no leitor e paga. Algumas cidades já testam ônibus sem cobradores. E faz muito sentido, uma vez que o dinheiro físico tende a não existir mais em até 15 anos (estou sendo pessimista). Frentistas de postos de gasolina devem enfrentar, nos próximos 5 anos uma mudança que nos Estados Unidos já existe há anos: o desaparecimento da sua função. Vendedores (muitos já estão atentos a isso), terão que atuar no que chamamos de Omnichanel, uma estratégia multicanal para melhorar a experiência do usuário (a grosso modo) nas compras de produtos ou serviços. 

A tele medicina chegou para fazer uma disrupção no dia a dia dos médicos. Já existem planos de saúde que cobram menos porque o primeiro atendimento é justamente digital, com você falando com um médico e ele podendo resolver seu problema sem que você se desloque a um hospital e gere outros custos em cadeia. O mesmo acontecerá com o mercado da advocacia. Aliás, em grandes escritórios de São Paulo, você praticamente não encontra mais estagiários. Toda a pesquisa é feita por plataformas de Inteligência Artificial, como a Watson, da IBM. Caso, aliás, incrível para se estudar. Uma gigante da tecnologia que teve de se reconstruir para não ser atropelada pelo novo mercado. E o que dizer da educação? Bom, eu apostaria boa parte das minhas fichas de que em alguns anos, uma boa parte de cursos de graduação não terão mais 4 anos. Se tiverem 2 anos ou 2,5 anos já estará de bom tamanho. Quer ver uma coisa? Sou formado em jornalismo. É impensável hoje passar 4 anos em uma sala de aula aprendendo jornalismo. Certamente dá para diminuir o tempo de aprendizado e otimizar com o auxílio de outros meios digitais. Pode colocar neste mesmo rol cursos como Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, Arquitetura, Sistemas de Informação entre outros.

A verdade é que todos, que somos ativos economicamente, devemos entrar na onda permanente de adaptação. Sob pena de sermos extintos. E antes que alguém acima dos 50 anos se apavore, eu faço questão de tranquilizar. Hoje, as coisas são tão intuitivas no campo digital, que é impossível não aprender algo com um pouco mais de dedicação e repetição. E digo isso tanto para operar uma máquina 3D e seus polímeros, a até mesmo compreender a realidade virtual e a inteligência artificial. O brasileiro tem uma vantagem neste ponto. Por mais que o mundo seja integrado digitalmente, estas mudanças acontecem no país sempre depois de virarem realidade lá fora. Isso nos dá um pequeno (cada vez menor), mas valioso tempo para nos adaptarmos, sobretudo as gerações anteriores à milênio. 

Os dados indicam que 100% das formas de trabalho serão impactadas e transformadas por este avanço digital obrigatório a que fomos submetidos (e que em parte estamos adorando). Não pense que você está fora desta previsão. Bem vindos a era do Homo Pixel.

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