Por quê todos devemos aplaudir Bruno Covas

As pessoas não estão acostumadas a separar a figura pública da pessoa "física". E no Brasil, quando se está na política esta relação é ainda mais conflituosa. São tempos estranhos. Precisamos entender este momento.

  • Guto Ferreira | Do R7

Bruno Covas, um prefeito que merece nosso respeito

Bruno Covas, um prefeito que merece nosso respeito

Reprodução / Instagram Bruno Covas

Este não é um texto sobre política. É sobre dedicação. É sobre se colocar na postura de SERVIR, mesmo que seu corpo esteja te avisando do contrário. Hoje vou falar um pouco da minha percepção sobre Bruno Covas, o prefeito de São Paulo.

Conheci o Bruno ainda quando ele era presidente da juventude do PSDB, há muitos anos. Eu militava no movimento estudantil e também representava outra juventude partidária, a do PFL. Ele vem de uma família importante na política nacional, com o seu avô sendo seu espelho para o meio público, Mario Covas, ex governador do Estado de São Paulo. Bruno não tem o sangue quente do avô. Construiu seu caminho na política amparado pelo sobrenome mas também pelo jeito fácil com que lidava com as pessoas e pela ponderação.

Vamos dar um salto no tempo até o momento em que Bruno assume a prefeitura de São Paulo e descobre sua doença. Permaneceu trabalhando enquanto poderia tranquilamente se afastar e cuidar apenas da sua saúde. Em um do momentos mais emblemáticos, durante a pandemia em 2020, levou uma cama para que pudesse ficar em tempo integral no predio da Prefeitura de São Paulo. Enquanto isso, duas coisas aconteciam: a primeira é notória, sobretudo para a equipe que o acompanhava - Bruno ficava cada vez mais desgastado pelo câncer. A segunda é que seus opositores políticos não paravam de bater na sua imagem por considerar uma uma "jogada".

Conheço o meio político há algum tempo para afirmar que alguns comentários são simplesmente nojentos e de um mau caratismo tremendo. Tenho um amor tão absurdo pela Cidade de São Paulo, que mesmo à distância, conseguia sentir o amor do Bruno pela cidade também. Por uma questão lógica, ele não deveria ter disputado a reeleição. Enfrentar uma campanha é um desgaste muito grande. Grande mesmo. Na situação de Bruno então, a tendência é um desgaste ainda maior. Por uma questão humanitária de sobrevivência, ele deveria ter focado no seu tratamento e ficado mais com a sua família. O amor ajuda na recuperação. Sempre. Mas apesar de eu ter esta opinião, tenho um certo orgulho de ver a postura de Bruno. Depois de dois mentirosos no cargo de prefeito, Serra e Dória, São Paulo merecia um prefeito que colocasse a cidade acima de quase tudo. E foi o que ele fez. Você pode concordar ou não. Aprovar ou não a gestão de Covas em São Paulo. Mas nunca poderá dizer que ele não se doou (literalmente) para a capital. Não poderá dizer que ele nao luta pela sua vida e também por deixar um bom legado para a cidade. 

Ainda que se discorde de algumas linhas de decisão de Bruno, ver ele à frente de São Paulo, mesmo com a saúde debilitada, é mostrar que temos um prefeito guerreiro sim. Dedicado sim. Que coloca sua cara para apanhar mesmo quando poderia estar em casa descansando e se cuidado - e seria extremamente justificável. Ainda tivemos o episódio em que ele leva seu filho no Maracanã para ver um jogo de futebol e o mundo cai sobre sua cabeça. Ora, pergunto a você, leitor, cristão, não cristão. A qualquer um. Se você compreendesse cada vez mais a finitude da vida terrena que levamos, e identificasse um gap em alguma área de sua vida, talvez no seu relacionamento ou dedicação ao seu filho, o que você faria? Não faria tudo, TUDO para ter esta memória? Para ter este prazer legítimo? Bruno, neste caso, fez o que qualquer PAI faria. E sinceramente, que se dane a opinião pública. Ele é prefeito sim. Tem obrigações sim. Tem responsabilidades enormes sobre seus ombros. E merece crédito.

Para mim, Bruno representa muito bem a nossa geração milênio, da década de 80. Queremos fazer, queremos realizar. Não nos entregamos nem mesmo para a doença mais cruel, para a dor mais insuportável. Para a situação mais impossível. Temos um sentimento de missão, que nos move rumo a um legado que ainda será percebido.

A todos da equipe de Bruno Covas - alguns, mackenzistas como eu, meu carinho, respeito e abraço. A sua família, FOCO, FORÇA e FÉ. E a você Bruno, meu obrigado sincero. Continue na luta. Muita saúde para você. 

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