Redes sociais: o novo playground da ignorância

Com o crescente acesso das pessoas à rede mundial de computadores e às redes sociais, também cresce a proliferação de radicais e intolerantes. Alguns inclusive se disfarçam de conservadores. Mas não são.

As redes sociais se tornaram palco de frustrados e intolerantes

As redes sociais se tornaram palco de frustrados e intolerantes

Divulgação/Pixabay

Recentemente postei um texto sobre o avanço da Fé no meio digital. A maioria esmagadora de comentários foi positiva, mas gosto de me guiar muito pelas opiniões contrárias. Aprender com elas. O problema é quando estas vêm com uma carga de radicalismo e intolerância muito grande. 

Dois fenômenos têm contribuído para isso. O primeiro é positivo. A cada ano, mais pessoas têm acesso à rede mundial de computadores e às redes sociais. Dados de 2019 do Hootsuit nos mostram que mais de 70% da população brasileira tem acesso à internet e mais de 65% acessam as redes sociais. Números estes que devem ter aumentado consideravelmente na pandemia. O brasileiro passa uma média de 03:34 minutos por dia nas redes, ocupando a 2a posição mundial. São mais de 4 bilhões de pessoas que acessam as redes sociais pelos celulares. O segundo fenômeno, no Brasil é o do crescimento da pauta conservadora, que diga-se, tomou corpo durante as eleições e teve seu impulso pelo discurso do presidente Bolsonaro. Perceba que me refiro à pauta e não à execução do discurso. E aqui começam alguns problemas.

Muitos não entendem o que é de fato o Conservadorismo como forma de pensamento. Aqueles que são progressistas eu até compreendo. Existe uma rejeição e falta de conhecimento normais sobre o assunto. Mas pessoas que se dizem conservadoras não compreenderem sequer do que estamos falando? É duro. Vou lhe dar um exemplo leitor. Um dos comentários que recebi sobre o texto "Deus está na rede. Você sabia disto?" foi feito em uma das minhas redes sociais por um jovem, católico assumido e que se dizia conservador. Segundo ele próprio, um estudioso de Agostinho de Hipona ou Santo Agostinho (um filósofo e hoje santo da igreja católica e considerado por muitos como um dos pais teológicos da Reforma Protestante, sendo inclusive bastante festejado, sobretudo pelos calvinistas). Aliás, Agostinho tem mesmo textos e reflexões incríveis. Porém, apenas a análise de seu texto do ponto de vista religioso está longe de fazer de você um conservador. No seu comentário, o rapaz começa me atacando pelo simples fato de escrever para o R7 (como assim?) e dizendo que eu "não poderia ser católico". Claramente desconhecedor do conceito de conservadorismo e mais ainda, do que o próprio Agostinho pregava em seu argumento de "Guerra Justa", onde afirma que cristãos devem ser pacifistas como postura pessoal e filosófica, faço a gentileza de convidar o rapaz para um debate sobre o tema. Uma live. Depois de mais algumas mensagens, ele some. 

Isto tem acontecido muito. As redes sociais darem voz às pessoas é incrível do ponto de vista tecnológico e de integração e interação, mas infelizmente, o debate tem ficado cada vez mais raso, superficial, por vezes preconceituoso e puxado por gente ignorante (no pior sentido da palavra) e intolerante, que se considera preparada para julgar sem sequer estudar você ou o seu conteúdo. Para uma parte da galera que se diz conservadora, o debate fica unicamente religioso. E esta é uma falha de formação terrível. É verdade que termos na base da sociedade ocidental uma formação cristã (que diga-se, é muito positiva para o estabelecimento de regras, valores e conceitos). Também é verdade, que a base teológica nos ensina muito sobre o comportamento humano. Mas lamento informar a alguns que o conservadorismo não é um pensamento religioso. A base é o ceticismo, a prudência, a racionalidade e o respeito aos ensinamentos e sabedoria (inclusive os religiosos) que nos foram transmitidos durantes séculos. O brasileiro parece gostar de cultivar o hábito de opinar sem se informar antes. Um traço cultural cada vez mais preocupante.

Outro caso bacana aconteceu quando postei um dos textos que escrevi no R7 em um grupo de whatsapp de amigos da época do colégio. Claro que neste caso você deve estar aberto a todo tipo de opinião, até pelo perfil heterogêneo do grupo, mas espera que sejam respeitosas. E naquele momento, um dos colegas, claramente progressista, colocou toda a sua frustração em comentários odiosos e sem a menor argumentação racional. Tenho fé que ele estava em uma semana ou um mês ruim. Até porque se aquele for o comportamento padrão, então só me resta esperar que não se multiplique. Então eu recomendo: antes de você (não importa se conservador ou progressista) se posicionar, não faça parte do grupo das pessoas rasas. Ao menos entenda, leia, releia, forme uma opinião e se posicione (se for necessário). Mas sempre de maneira respeitosa. Não faz o menor sentido contribuir para um ambiente com base no ódio e intolerância. E aqui não importa o que você defenda.

E para você, que se diz conservador, aqui vai um conselho incrível, mas extremamente óbvio: estude. Se você só ataca sem ter conhecimento, promove discussões irracionais, usa suas redes sociais para fiscalizar os outros e tentar impor sua tese sem base alguma ou mesmo divulgar fake news, você está se enganando. Não é um conservador. Faz apenas parte de um grupo, cada vez maior, de imbecilóides que vivem em uma bolha digital, longe dos ensinamentos (inclusive religiosos) que pregam uma sociedade mais empática, unida, com valores morais claros e respeitosa com as minorias. Escolha seu lado. Sextou ;-)

ps. Na segunda escrevei sobre o pensamento CONSERVADOR e o APOIO à produção e comercialização do Canabidiol. Fica ligado.

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