Sim. O Canabidiol deve ser apoiado pelos Conservadores

Em um mundo cada vez mais polarizado e com ideias vocalizadas por gente radical, a reflexão sobre o Canabidiol se torna importante para a economia, sociedade e para os novos tempos

Reprodução/ Record Tv Minas

Olá. Você já deve saber, me chamo Guto Ferreira, sou um conservador da nova geração, que defende a diminuição do Estado e que acredita que a inovação deva ser assumida como pilar de desenvolvimento da sociedade. E hoje vou falar de Canabidiol.

De cara já aviso que, hoje, no Brasil, sou contra a liberação da Cannabis para uso recreativo (os motivos, quem quiser saber pode me questionar nas redes sociais - em todas estou como conservador_tecnologico). Nunca coloquei um cigarro na boca. De nenhum tipo. Porém sou extremamente favorável à produção nacional, importação e exportação do Canabidiol, ou CBD, como é mais conhecido em todo o mundo. Primeiro é bom entender do que se trata. Vamos lá. O canabidiol é um canabinóide, um derivado da planta Cannabis Sativa (que contém mais de 145 canabinóides diferentes), um dos seus compostos naturais. Já há alguns anos, este derivado tem sido estudado e servido para, COM COMPROVAÇÃO MÉDICA, da CIÊNCIA, ajudar pessoas com problemas como artrite, ansiedade, doença de Crohn, esclerose múltipla, autismo, convulsões, esclerose lateral amiotrófica (ELA) entre outras. 

É importante lembrar também da história. A Cannabis Sativa (ou maconha) tem registros de estudos de 2723 a.C., na China. Não é pouca coisa. No Brasil, chega por volta do final do século XVIII com a utilização de suas propriedades medicinais e em fibras têxteis. Atualmente, em países como EUA, Inglaterra, Austrália e Nova Zelândia, a Cannabis Sativa é legalizada inclusive como fonte alimentar, dentro do conceito dos chamados Super Alimentos. Antes que você imagine se o alimento dá algum "barato", já explico que a possibilidade não existe, pelo baixíssimo índice de THC. Em resumo, qualquer ideia misturando "alhos e bugalhos" é apenas ignorância e pré conceito mesmo. Por fim, dentro desta explicação superficial, mas que já dá uma boa impressão sobre o assunto, atualmente, marcas globais, como Adidas e nacionais, como Osklen, já vendem tênis e camisetas de cânhamo, que é a fibra do caule da planta Cannabis Sativa.

No Brasil, a discussão, para variar, tomou contornos políticos radicais. Recentemente, após caloroso embate, a ANVISA autorizou a venda de fármacos à base de canabidiol. O problema é que para se equilibrar entre sua posição interna, mercado e o pensamento político do governo, a coisa saiu extremamente "meia boa". Um avanço, mas um avanço pra lá de frustrante. Gente que se diz Conservador, mas foge dos argumentos racionais, passou a gritar para os quatro cantos do mundo, que a liberação do Canabidiol seria a vitória dos "maconheiros e drogados". Ouvimos isso de ministros do governo federal, parlamentares da Câmara e do Senado e menos, mas também, de pessoas do Judiciário. Se houvesse um concurso para promover aqueles que discursaram sem saber o que estão falando ou com radicalismo imbecilóide, certamente teríamos muita gente dividindo o 1o lugar. Dito isso, vamos à parte do Conservadorismo. Vou explicar e destruir os argumentos destas pessoas que se dizem conservadores e sequer sabem o que estão defendendo. 

Em dezembro de 2018, o parlamento de ISRAEL autorizou a exportação de maconha para o uso medicinal. Uma Lei que gera mais de 250 milhões de euros para o país. Advinha quem foi o redator da Lei? Yoav Kisch, deputado do Likud, o partido CONSERVADOR israelense, do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Nele, duas partes do texto têm destaque. Uma que fala sobre  o “enorme potencial econômico” para o Estado e os agricultores e outra que qualifica a maconha medicinal como um “produto bendito que mitiga o sofrimento dos doentes”.

Aliás, em 21 de junho deste ano, um projeto de Lei que legaliza o consumo de maconha em Israel foi aprovado pelo Comitê Ministerial de Legislação. De acordo com o site SECHAT, "O PL pretende descriminalizar o porte de até 50 gramas de maconha e legalizar totalmente o porte e o consumo de até 15 gramas por indivíduos acima de 21 anos.". Opa, de novo com o apoio do LIKUD. Mas o tema aqui não é o recreativo. 

Já na Inglaterra, outro país comandado pelos CONSERVADORES, a autorização para o Canabidiol já havia vindo em 2018. E nos EUA? bom, no país atualmente liderado pelo Partido Republicano os números falam por si só. Apenas 3 de 50 estados americanos proíbem o uso medicinal e/ou recreativo. Três!. E o maior avanço das legislações se deu inclusive durante o governo Trump e na maioria esmagadora de estados comandados por CONSERVADORES. Aliás, segundo estudos da consultoria Brightfield Group, o mercado nos EUA deve bater a cifra de US$ 22 bilhões (R$ 116 bilhões) até 2022. Além destes países que citei agora, outros também liberaram a questão medicinal. São eles: Alemanha, Argentina, Austrália, Canadá, Chile, Colômbia, Croácia, Grécia, Holanda, Itália, Noruega, Nova Zelândia, Polônia, Suíça.

Como argumento final eu não poderia deixar de fugir do tema RELIGIÃO, afinal, alguns pseudo conservadores se escondem por trás dos dogmas apenas pela sua incapacidade de argumentação racional. Para eles eu afirmo: Deus e Jesus Cristo dificilmente seriam contra o Canabidiol. Parece polêmico não? Mas é mais racional do que você imagina. Vamos lá. Acompanhe a linha de pensamento.

Quem criou todas as coisas? Deus não? Sim. Teria Deus criado as plantas pensando no mal da humanidade? Com certeza não. É verdade que Deus deu ao homem o livre arbítrio? É isso mesmo. Logo, se eu criminalizo uma planta, que por si só não faz mais nada a não ser viver, eu não estaria criminalizando uma criação de Deus e por consequência indo contra ELE? Sim amigos. A planta, do ponto de vista ativo, não faz nada. Quem faz é o homem, que se utiliza dela para seus interesses. Utiliza seu livre arbítrio e arca com as consequências. Quando estes interesses vem para o mal as Leis dos Homens devem agir. Mas quando este interesse vem para utilizar uma criação de Deus para o bem, por meio da ciência e da medicina, para salvar vidas inclusive, devemos abrir mão disso? Claro que não. Então, do ponto de vista, inclusive religioso, o combate ao Canabidiol não se sustenta de forma alguma.

Sabe o que isso significa? Vou ser um pouco mais claro para finalizar. O bom uso da planta, com apoio da ciência legal, é positivo para a sociedade e para a economia. Não se resolve problema novo com dinheiro velho. Devemos sim abrir novos mercados e estes estão entre eles. Se não fizermos isso, devemos assumir a completa incompetência do Estado brasileiro em gerenciar uma situação já posta em todo o mundo. Inclusive em países governados por conservadores. Também devemos assumir que não estamos prontos para subir a um novo patamar, afinal, estamos presos na era das trevas do ponto de visto de evolução do pensamento. O uso da planta para a fabricação de vestuário, cremes, xampus, remédios, alimentos, entre outros, deve ser completamente explorado pelo Estado brasileiro e pelo privado (empresas e startups), sob pena de vermos o avanço de uma mentalidade arcaica, do período Mezozóico, como as opiniões do ex ministro da Cidadania de Jair Bolsonaro e atualmente deputado federal Osmar Terra (que se identifica como conservadora mas não é. É CONSERVANTISTA). Não existem conservadores que não coloquem o bem da sociedade acima de sua própria opinião. Se temos a oportunidade de abraçar algo, sem prejudicar, os conceitos morais que defendemos, não existe a menor razão para nos opormos a ele. O canabidiol é exatemente este caso. 

O mundo já andou, e os conservadores de verdade apóiam este avanço, preservando o que nos é caro e incentivando a reflexão permanente e o ganho econômico pelo avanço da ciência e das inovações. Boa semana.

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