O Conservador Tecnológico Uma década econômica quase perdida. Você está pronto para o desafio?

Uma década econômica quase perdida. Você está pronto para o desafio?

A pandemia apenas desnudou os problemas da ineficiência do estado e da falta se senso de urgência que impera no país

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30/06/2020- Cerimônia de Prorrogação do Auxílio Emergencial-Palácio do Planalto
Brasília,DF- Ministro da Economia, Paulo Guedes, durante cerimônia de Prorrogação do Auxílío Emergencial, no salão Nobre do Palácio do Planalto, em Brasília, DF FOTO: EDU ANDRADE/Ascom/ME

Ministério da EconomiaSeguir 30/06/2020- Cerimônia de Prorrogação do Auxílio Emergencial-Palácio do Planalto Brasília,DF- Ministro da Economia, Paulo Guedes, durante cerimônia de Prorrogação do Auxílío Emergencial, no salão Nobre do Palácio do Planalto, em Brasília, DF FOTO: EDU ANDRADE/Ascom/ME

Edu Andreade/Ascom/ME - 30.06.2020

Hoje o papo é sobre economia. E interessa a você. A conta é simples. Em 2017 (governo Temer), o Brasil cresceu 1,3% depois de um biênio (2015/16) de queda de -6,8% do PIB (que em linhas gerais é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país dentro de um determinado espaço de tempo, neste caso, um ano inteiro), durante o desastroso governo de Dilma Rousseff. Em 2018 cresceu mais 1,3% (governo Temer) e em 2019, ao final do primeiro ano de governo Bolsonaro, veio uma leve retração, mas crescemos 1,1%. Em uma conta rápida você perceberá que entramos 2020 com uma conta negativa do PIB de -3,1% nos últimos 5 anos. Aí veio a pandemia e com ela a completa desestruturação da política econômica brasileira.

É bem verdade que ela já andava de lado pelo ambiente político e sobretudo porque a equipe econômica entende tudo de macro economia mas muito pouco de economia real. E pasmem, é a economia real que move este país. Sim, o micro e o pequeno empresário e comerciante, justamente aqueles que mais sofrerão neste momento e nos próximos anos. Pragmaticamente temos então o seguinte cenário: Um país que não consegue (ao menos até agora) aprovar uma reforma tributária ampla, que ainda não consegue enfrentar o corporativismo tradicional do funcionalismo público e aprovar uma reforma administrativa condizente com os novos tempos, um país que conseguiu transformar uma situação de pandemia e ciência em uma questão política e de negacionismo e uma equipe econômica que segue sem apresentar um planejamento e ações consistentes para o país, seguindo uma escola liberal da década de 70 e não observando a importância do setor produtivo para o Brasil, sobretudo a indústria. Acrescente-se a isso as baixas no 1o escalão da equipe de Paulo Guedes, sobretudo nos ultimos 2 meses. 

Em resumo leitor, imagine que o Brasil este ano tenha uma queda entre 6,5% e 7,5% do PIB. Se passar a crescer o mesmo que em 2019, com um aumento circunstancial em um ano ou outro e sem tropeçar nenhuma vez, de forma otimista, posso afirmar que o Brasil voltará ao patamar pré pandemia apenas em 2024, talvez 2025. Caso não façamos nosso trabalho de casa das reformas estruturantes e melhoria do ambiente econômico, aí é plausível afirmar que a recuperação chegaria por volta de 2025 a 2027. Sim, estamos em recessão, nosso crescimento não será em "V" como diz o ministro Paulo Guedes e temos um cenário duro e difícil pela frente, com uma década quase perdida, aumento de desemprego e desocupação. Mais do que criativos, agora é a hora de sermos competentes.

Precisamos de verdadeiros líderes, que possam nos levar nesta travessia segura de um mar revolto para um mais calmo. Chega de verborragia, de gritos e baixarias, de lado a lado. Chega de criar mundos utópicos. Afastemos as emoções e usemos o empirismo e o pragmatismo de resultados. Mesmo que o brasileiro tenha fé, chegou a hora de termos a fé inteligente. 

Este talvez seja o período mais desafiador para o Brasil desde a hiperinflação do governo Sarney. Este texto não é para que você se assuste. É para que você se informe. Devemos estar preparados. Mas passaremos por isso. Juntos.

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