R7 Planalto À CPI, Abin nega elo com fala de Bolsonaro sobre guerra biológica

À CPI, Abin nega elo com fala de Bolsonaro sobre guerra biológica

Documento é assinado por Alexandre Ramagem, que descarta informações da agência de inteligência na afirmação do presidente

Na imagem, Alexandre Ramagem (Abin)

Na imagem, Alexandre Ramagem (Abin)

Reprodução Governo Federal

Em documento encaminhado à CPI da Covid, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) comentou a afirmação feita pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sobre a insinuação de que o novo coronavírus pode ser fruto de uma guerra biológica.

A afirmação foi feita por Bolsonaro no dia 5 de junho, na abertura da semana das Comunicações no Palácio do Planalto, em Brasília. “É um vírus novo, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou se nasceu por algum ser humano ingerir um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem o que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra? Qual o país que mais cresceu o seu PIB? Não vou dizer para vocês”, disse o presidente na ocasião.

A declaração foi questionada em requerimento, feito pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), membro da comissão. O documento de resposta é assinado, por sua vez, pelo diretor-geral da Abin, Alexandre Ramagem, que nega elo com a afirmação de Bolsonaro, mas admite a possibilidade de que o vírus foi criado em laboratório.

À CPI, Ramagem descarta ainda que a manifestação de Bolsonaro faça qualquer referência a informações da Abin e acredita que as relações diplomáticas entre Brasil e China são “maduras, dinâmicas, complementares e com diversas oportunidades de expansão”.

De acordo com o documento, as manifestações de Bolsonaro expressam duas entre quatro principais hipóteses existentes sobre a origem do vírus. Ramagem afirma que o último relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde), de 30 de março, traz expressamente as hipóteses da fala do titular do Executivo.

“Embora o relatório tenha inicialmente considerado a hipótese de laboratório menos provável, sugerindo a descontinuidade dessa linha de pesquisa, após objeção de vários países, o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus acabou voltando atrás para tornar a incluir essa hipótese como oficial das pesquisas da OMS”, disse.

A teoria do vazamento do vírus de um laboratório, inicialmente citada pelo antecessor de Joe Biden, Donald Trump, e depois descartada como "altamente improvável" por uma missão da OMS que visitou a China com muito atraso, ressurgiu nos últimos dias, estimulada por Washington.

Pequim rejeita a teoria de que o vírus pode ter surgido em um laboratório de virologia em Wuhan e acusa Washington de vender "conspirações" e politizar a pandemia.

A hipótese da origem natural — respaldada como a mais provável pela equipe de especialistas da OMS que visitou a China — afirma que o vírus surgiu entre morcegos e depois passou aos humanos, provavelmente através de uma espécie intermediária. Esta teoria foi amplamente aceita no início da pandemia, mas com o passar do tempo os cientistas não encontraram um vírus nos morcegos ou em outro animal que corresponda com a assinatura genética do SARS-CoV-2.

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