R7 Planalto Aécio Neves é cachorro morto que ninguém chuta

Aécio Neves é cachorro morto que ninguém chuta

Permanecer calado é um direito que a lei e a política garantem, e Aécio Neves tem sabido tirar proveito do ostracismo que voluntariamente se impôs

Candidato a presidência em 2014, Aécio Neves é deputado federal (MG)

Candidato a presidência em 2014, Aécio Neves é deputado federal (MG)

Roque de Sá/Agência Senado

Que fim levou Aécio Neves? O outrora todo-poderoso líder da oposição ao PT – e que por muito pouco deixou de ser presidente da República –, corre o risco de virar nota de rodapé no almanaque da política brasileira. Mas nem pode reclamar, pois ainda em vida está generosamente esquecido em um país cujo povo adora chutar cachorro morto. Moço de sorte.

Incrível imaginar que, após receber 51 milhões de votos, o ex-senador mineiro acertaria na mosca (e no próprio coração) ao dar início imediato, já no encerramento do segundo turno de 2014, ao que se mostraria o certeiro e irreversível impeachment de Dilma Roussef (sua agora colega de ostracismo).

Mal sabia que preço pagaria ao final desse ajuste de contas, o defenestrado Aécio. Não vamos esquecer que o tucano embarcou no governo Temer com ares de chanceler e herdeiro natural do espólio que ajudara a escriturar. Dificilmente veremos novamente um político ser desmascarado de forma tão fulminante, em tempo real, momentos antes de sua consagração.

Motivos não faltaram para tamanha derrocada, qualquer brasileiro é capaz de lembrar. Aeroporto de tio, helicóptero, gravações comprometedoras com Joesley Batista, irmã presa pela PF, réu por corrupção passiva, o escambau, verdadeiro ou falso. Também não lhe faltou a sabedoria de recuar e abrir mão de maiores ambições políticas. Ficou de bom tamanho a vaga de deputado federal por Minas Gerais, em 2018.

De lá para cá, o silêncio mostrou-se o melhor aliado de Aécio. Tem funcionado. Afora a folclórica blindagem que a Justiça brasileira parece reservar a tucanos de alta plumagem, o neto de Tancredo Neves tem demonstrado ser bom em permanecer calado. É um direito que a lei e a política garantem a todo e qualquer brasileiro.