Alessandra Negrini se torna alvo; o politicamente correto é muito chato

Já deveríamos ter enterrado numa curva de rio essa discussão primitiva e selvagem sobre censurar comportamentos, vestuário e o uso de palavras

A atriz desfilou com fantasia em apoio aos povos da floresta

A atriz desfilou com fantasia em apoio aos povos da floresta

Renato S. Cerqueira/Estadão Conteúdo

A humanidade fracassou miseravelmente. Não bastassem as toneladas de problemas que temos a resolver, tem um tipinho de gente, bem mesquinha, que acha ofensivo a Alessandra Negrini sair fantasiada de índia no Carnaval. Isso é muita falta de um lote de terra demarcada para carpir.

Em primeiro lugar, Alessandra Negrini pode tudo. Eu deixo. Meus pêsames vão aos internautas malas que “cancelaram” a atriz em redes sociais. A deusa do bloco Acadêmicos do Baixo Augusta desfilou neste domingo, 16, em homenagem aos povos da floresta e a todos os homens e mulheres de bom gosto.

De resto, já deveríamos ter enterrado numa curva de rio essa discussão primitiva e selvagem sobre uso de roupas e palavras. Deixa as mina, os mano e as mania de todo mundo em paz. Viva a liberdade individual. Não está fazendo mal para ninguém? Se joga.

Essas patrulhas do politicamente correto só aceitam inscrição de chatos com graves falhas cognitivas, única explicação. Em Belo Horizonte, existe uma cartilha de fantasias a serem evitadas. Foi publicada no Diário Oficial do município. Um Index que proíbe uniformes de enfermeiras ou aeromoças, cocares, cabelo black power e, pasmem, homens vestidos de mulher. Enlouqueceram.

Vamos repetir, para ficar bem claro: não sabe brincar, não desce pro play.  Esse papo de regular o comportamento, o discurso e o vestuário das pessoas não é legal. Ele é feio. É bobão. E jamais deveria ser abraçado pela esquerda, pois trata-se de uma tática autoritária, normativa, censora, opressiva, normativa, tudo do mal. É fascista, que chama?