Aliança pelo Brasil desiste de assinatura digital e pede desfiliação

Partido irá convocar apoiadores a se desfiliar do PSL e ir a cartórios para assinar lista e reconhecer firma a partir de amanhã

O presidente da República, Jair Bolsonaro, durante convenção do Aliança pelo Brasil

O presidente da República, Jair Bolsonaro, durante convenção do Aliança pelo Brasil

GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO

Na esperança de formalizar a criação do novo partido do presidente Jair Bolsonaro, o "Aliança pelo Brasil", a equipe que cuida da criação da legenda desistiu de coletar, por meio digital, as quase 492 mil assinaturas necessárias.

Nesta quarta-feira (18), o Aliança pelo Brasil vai convocar seus apoiadores a se desfiliar do PSL, para na sexta-feira (20) ir aos cartórios de notas para assinar a lista e reconhecer firma. A assinatura na lista é considerada fundamental para a comprovação do apoiamento mínimo do partido de forma mais segura. 

A explicação é que, conforme decidiu o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), seria preciso aguardar a regulamentação da prática, o que poderia inviabilizar a conclusão do partido a tempo de concorrer nas eleições municipais de 2020. A tesoureira do Aliança pelo Brasil e advogada de Bolsonaro, Karina Kufa, explica:

— Isso (regulamentação do certificado digital) pode levar meses.

A Justiça Eleitoral exige que, para disputar o pleito, a legenda precisa estar aprovada e registrada junto ao TSE seis meses antes do dia da eleição.

Sob a bandeira "Liberte-se", filiados ao PSL, que apoiam o presidente Jair Bolsonaro, estão sendo convocados para se desvincularem do ex-partido do presidente. No site da Aliança pelo Brasil, é possível saber como proceder.

A estratégia é para que essas mesmas pessoas, uma vez desfiliadas, possam apoiar o novo partido. Uma nova convocação será feita para esta sexta-feira, dia 20 de dezembro. A ideia é que os correligionários do presidente Bolsonaro compareçam a um cartório de notas, onde estarão disponíveis fichas que devem ser preenchidas e assinadas manualmente. Na sequência, as assinaturas serão reconhecidas no próprio cartório. O próximo passo é a conferência das assinaturas pela justiça eleitoral.

— Acredito que a popularidade do Presidente da República permita a coleta das assinaturas em pouquíssimo tempo, suficiente para o julgamento pelo TSE antes das eleições de 2020, conclui Karina Kufa.