R7 Planalto Araújo acena aos EUA e fala em construção de agenda ambiental

Araújo acena aos EUA e fala em construção de agenda ambiental

Em post, ministro fala em "capacidade e determinação do Brasil de construir junto com os EUA uma agenda ambiental moderna"

  • R7 Planalto | Do R7, com informações da Agência Estado

Araújo virou alvo do Congresso

Araújo virou alvo do Congresso

Adriano Machado/Reuters - 02.03.2021

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que passou a semana sendo criticado e cobrado a deixar o cargo, fez um post nesta sábado (27) em uma rede social e se mostrou alinhado aos Estados Unidos em relação ao combate às mudanças climáticas. A postagem pode ser vista como estratégia para acalmar os ânimos do Senado, onde Araújo sofreu duras críticas na última quarta-feira (24). 

No post no Twitter, Araújo escreve que "o convite do Pres. Biden ao PR Bolsonaro p/ a Cúpula do Clima reflete a capacidade e determinação do Brasil de construir junto com os EUA uma agenda ambiental moderna, incluindo investimento, tecnologia, geração de emprego e visão de futuro. Já estamos trabalhando para isso". 

Na sexta-feira (26), o presidente dos EUA, Joe Biden, convidou 40 líderes mundiais, entre eles o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, para uma cúpula virtual sobre o clima.

Ontem o chanceler indicou a assessores que ganhou "sobrevida" no cargo, apesar da intensa cobrança para que renuncie ou para que o presidente Jair Bolsonaro o demita. Araújo e o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Filipe Martins, viraram alvos do Congresso, mas têm suporte da família Bolsonaro.

O chanceler participou da reunião de 30 anos do Mercosul, ao lado de Bolsonaro. Ele tem conversado com o presidente sobre as cobranças de políticos do Centrão, sobretudo da cúpula do Congresso, de militares e empresários, para que seja substituído. Nesta sexta-feira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), recebeu a visita de Bolsonaro e reiterou críticas à condução das Relações Exteriores.

"Consideramos que a política externa do Brasil ainda está falha" afirmou Pacheco. "Precisa ser corrigida, melhorar a relação com os países, inclusive com a China. Para além do desempenho pessoal do ministro, vamos falar sobre ideias, comportamentos, e isso precisa melhorar. Com ministro A ou B, o que importa é que funcione."

Parte da equipe de Araújo entende que o titular de Relações Exteriores virou um para-raio e sofre lobby contrário de chineses, que intensificaram o diálogo direto com o Congresso e reclamaram dele para o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL).

O ministro nega ter problemas com a China, mas no ano passado se envolveu em crises diplomáticas com o embaixador Yang Wanming e disse ao Estadão que ele mesmo acionou Pequim para reclamar do representante do país em Brasília. Segundo fontes do Itamaraty, a embaixada brasileira foi instruída a pedir a retirada de Wanming, mas a chancelaria chinesa ignorou. Araújo nunca negou, mas se recusa a detalhar o pedido.

Bolsonaro chegou a orientar Martins - investigado pela Polícia Legislativa por causa de um gesto interpretado como expressão da "supremacia branca" - a tentar acalmar os ânimos diretamente com os senadores que cobraram sua cabeça. Martins já foi avisado de que deve ser afastado do Palácio do Planalto e busca apoio entre militantes e setores da comunidade judaica, na tentativa de demonstrar que não cometeu ato de racismo.

A indisposição com o ministro é quase unânime. O chanceler foi abandonado por líderes do governo durante sessão de debates no Senado, na última quarta-feira (24). Se Araújo não for trocado agora, senadores ameaçam, nos bastidores, bloquear a agenda do Itamaraty na Casa, responsável por aprovar todas as indicações de embaixadores a postos no exterior, por exemplo.

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