Brasil tende a amenizar posição em relação a conflito entre EUA e Irã

Para professor de Relações Internacionais, posicionamento automático ao lado dos americanos pode complicar relações comerciais com o Oriente Médio

Itamaraty deve tentar caminho do diálogo em pedido de explicações pedido pelo Irã

Itamaraty deve tentar caminho do diálogo em pedido de explicações pedido pelo Irã

Ana de Oliveira/AIG-MRE

Para o professor de Relações Internacionais do Ibmec SP Marcelo Suano, o Brasil tomou uma posição inicial forte em relação à crise Irã-EUA, como, aliás, tem sido a tônica do governo Bolsonaro. Para ele, a tendência é de uma posição mais amena a partir de agora, até porque com a posição inicial os esforços do Brasil de ampliação de comércio internacional podem ser muito afetados.

— Além do próprio Irã deixar de fazer negócios, em caso de um conflito duradouro e que se amplie para outros territórios, o recém fechado acordo com os Emirados Árabes Unidos correria risco.

A avaliação é de que um posicionamento inicial forte tem sido a tônica do governo de Bolsonaro, que, segundo o especialista, tem acertado em diversos aspectos do governo. Mas, neste caso, foram “medidas e pronunciamentos feitos em momentos inadequados”.

O ideal para o Brasil seria ter tomado uma posição mais moderada neste início de crise, mesmo na hora de mostrar que está alinhado aos Estados Unidos:

— Uma linha como: os Estados Unidos sempre tomam decisões em defesa da democracia. O  Brasil defende que seja investigado, observadas as ações, buscados caminhos de diálogo, procuradas formas de fazer com que atos violentos feitos por ambos os lados sejam deixados no passado, em busca de uma resolução pacífica, que será benéfica a todo o mundo.

Sobre o pedido de explicações que o governo iraniano pediu para o consulado brasileiro em Teerã, o professor esclarece ser algo de praxe.

— Pedidos de explicações são naturais na diplomacia internacional. Quando um país faz um pronunciamento oficial que afete os princípios do país alvo desta fala, é comum que sejam chamados representantes para esclarecer possíveis maus entendidos e confirmar o conteúdo do discurso.

Para Marcelo, o caminho ideal a se trilhar neste encontro é o da tentativa de amenizar, “mas esta situação fica mais difícil, pois não é simplesmente uma questão ideológica, e sim de princípios, de valores, posturas”.