R7 Planalto Carlos Bolsonaro negou à PF criar conteúdo contra democracia

Carlos Bolsonaro negou à PF criar conteúdo contra democracia

Oitiva ocorreu em 10 de setembro de 2020 no âmbito do inquérito do STF que apura a realização de atos antidemocráticos

  • R7 Planalto | Plínio Aguiar, do R7, com Clébio Cavagnolle, da Record TV

Na imagem, vereador Carlos Bolsonaro (RJ)

Na imagem, vereador Carlos Bolsonaro (RJ)

Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro/ Divulgação

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), retirou nesta segunda-feira (7) o sigilo do inquérito que apura a realização de atos antidemocráticos.

Diversos parlamentares ligados ao PSL, como Daniel Silveira (RJ) e Carla Zambelli (SP), estão na mira da investigação. Durante o inquérito, a PF intimou políticos ligados ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para depor, inclusive seus filhos. O vereador Carlos Bolsonaro foi intimado pela PF e prestou depoimento em 10 de setembro de 2020.

Na oitiva, Carlos disse que, por volta de 2010 a 2012, criou perfis em redes sociais diversas em nome de seu pai, Jair Bolsonaro, "na tentativa de capilarizar as informações sobre o trabalho desenvolvido". A partir daí, sentiu uma necessidade de "identificar pessoas que pudessem colaborar com o trabalho" e, em 2015, conheceu José Matheus Sales Gomes, posteriormente contratado como assessor do gabinete.

O vereador conta que tem contato com José Matheus Sales Gomes, hoje assessor da Presidência da República, em razão de solicitações a respeito de fornecimento de informações relacionadas aos trabalhos desenvolvidos pelo governo federal para divulgar em suas redes sociais, "uma vez que têm alcance maior do que de muitos órgãos do governo".

No depoimento, o filho do presidente da República negou que participa de alguma forma da política de comunicação do governo federal, mas reconheceu que recebeu informações de Fábio Wajgarten, ex-secretário especial de Comunicação Social da Presidência da República, de "prévias de possíveis manchetes do dia seguinte nos meios de comunicação".

Leia, abaixo, o depoimento de Carlos Bolsonaro:

- não possui vínculo com o governo federal;
- Tercio Arnaud era assessor do gabinete do declarante com a função de acompanhar as redes sociais do declarante;
- foi apresentado a Tércio por meio do seu pai, salvo engano, em 2017, em razão do conhecimento de Tércio na área de redes;
- é amigo de José Matheus Salles Gomes e o conheceu por volta de 2010 em razão da página Bolsonaro Zueiro (página que publicava memes relacionado ao seu pai), respondeu que foi assessor do gabinete do declarante por aproximadamente quatro anos, exercendo a função de acompanhar e desenvolver linhas de raciocínio de produção de conteúdo a ser divulgado nas redes sociais do declarante;
- por volta de 2015 ou 2016, o "declarante procurou José Matheus com proposta de que o mesmo integrasse sua equipe no gabinete;
- atualmente tem contato com José Matheus em razão de solicitações realizadas pelo declarante no tocante a fornecimento de informações relacionadas aos trabalhos desenvolvidos pelo governo federal para divulgação nas suas redes sociais, uma vez que as redes sociais do declarante tem alcance maior do que de muitos órgãos do governo federal;
- sua relação com Mateus Matos Diniz, respondeu que tem ciência que tem relação com a assessoria da Presidência; que conheceu Mateus Matos por intermédio de José Matheus durante uma viagem pessoal;
- sobre sua relação com Anderson Moraes, respondeu que conhece. uma vez que sua mãe trabalhou como assessora parlamentar no gabinete de Anderson;
- as redes sociais começaram a se popularizar por volta de 2010, momento em que decidiu criar um blog na tentativo divulgar informações positivas. bem como imagens positivos, para rastreamento do Google durante pesquisas utilizando o termo Jair Bolsonaro;
- percebeu que tal atitude surtiu efeito, passando então, por volta de 2010/2012, a criar redes sociais diversas em nome de Jair Bolsonaro na tentativa de capilarizar as informações sobre o trabalho desenvolvido pelo seu pai; que a partir dos resultados apresentados nos redes sociais. sentiu a necessidade de identificar pessoas que pudessem colaborar com o trabalho que estava sendo desenvolvido; que nesse contexto, por volta de 2015, salvo engano, José Matheus foi contratado como assessor do gabinete do declarante;
- o trabalho realizado nas redes sociais exige uma grande dedicação, uma vez que. o declarante precisa compreender o melhor momento de divulgação. a forma como as informações serão divulgadas, bem como a análise da repercussão e reações das pessoas frente às divulgações; que a pulverização das informações ocorre em razão da estratégia adotada relacionada a diversidade das redes sociais utilizadas, horários, temas e layout das informações divulgadas;
- nega a produção, publicação ou difusão de material falsos ou que veicule informações contra os chefes de poderes ou contra as instituições do Estado Democrático de Direito;
- nega o vinculo com as pessoas indicadas no relatório da Atlantic Conciul;
- conhece o canal Foco do Brasil, mas não tem nenhuma relação como mesmo;
- indagado se participa de alguma forma (oficial ou extraoficialmente) da política de comunicação do governo federal. respondeu que não;
- qual o vínculo com Fabio Wajngarten, respondeu que conhece, porém não tem relação profissional ou pessoal; esclareceu que Fabio encaminha de forma habitual prévias de possíveis manchetes do dia seguinte nos meios de comunicação;
- indagado se possui local de trabalho em Brasília. Respondeu que não possui;
- não recebe monetização.

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