R7 Planalto Covas não consultou entidade com mais de 300 blocos sobre Carnaval

Covas não consultou entidade com mais de 300 blocos sobre Carnaval

Afirmação foi dada nesta sexta-feira (24) por José Cury, fundador e coordenador do Fórum Aberto dos Blocos de Carnaval de São Paulo

  • R7 Planalto | Plínio Aguiar, do R7

Na imagem, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), em coletiva de imprensa

Na imagem, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), em coletiva de imprensa

Governo do Estado de São Paulo - 29.06.2020

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), não consultou o Fórum Aberto dos Blocos de Carnaval de São Paulo, que representa mais de 300 agremiações, sobre a decisão de adiar o Carnaval de 2021 em decorrência da pandemia do novo coronavírus.

A afirmação é feita em entrevista exclusiva ao R7 Planalto por José Cury, um dos fundadores e coordenador da entidade.

“Quanto a ter conversado com os blocos, ele (Covas) não conversou. Os blocos citados por ele na coletiva de imprensa foram consultados em conversas amistosas, do tipo o que você acha, e ele citou oito blocos num universo de mais de 600”, afirma Cury. "E eu não fui consultado porque sou uma pessoa que o ex-secretário de Cultura (Alê Youssef) não quer ver nem de longe”, completa.

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O anúncio de adiamento do Carnaval de 2021 em São Paulo foi feito pela manhã. Durante a coletiva de imprensa, Covas afirmou que conversou com blocos a respeito da ação.

“Blocos tradicionais da cidade, e eu queria destacar a conversa com a Associação das Bandas Carnavalescas de São Paulo, Acadêmicos do Baixo Augusta, Agrada Gregos, Casa Comigo, Banda do Candinho e Mulatas, A Espetacular Charanga do França, Esparrado, Ilú Obá de Min, Lua Vai, Minhoqueens e Tarado Ni Você”, disse. “Tanto as escolas de samba quanto os blocos carnavalescos entenderam a inviabilidade da realização do Carnaval em fevereiro”, acrescentou o prefeito.

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A data ainda será definida em acordo com o setor, mas deve ser a partir de maio, informou Covas. “Muito dificilmente ocorrerá em junho, porque em junho coincide com os festivais de São João no Nordeste. Nós estamos agora definindo ou final de maio ou começo de julho”, aponta.

A crítica de Cury é argumentada pela falta de diálogo entre o setor e a administração municipal, por meio da secretaria de Cultura. “Não é um diálogo aberto entre o poder público e as representações do Carnaval de São Paulo. Adiar o Carnaval é um diálogo muito mais complexo do que falar que irá jogar a partir de maio”, afirma.

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Cury, no entanto, concorda com a decisão de adiar o Carnaval de 2021. “Os prognósticos nos levam a não fazer o Carnaval em fevereiro. Eu acho que a decisão de adiar é a mais correta. E vejo mais como uma atitude comercial-administrativa também”, avalia.

O fundador da entidade defende, ainda, que a data da realização da festividade deve ser debatida depois das eleições municipais, previstas para 15 e 29 de novembro. “Debater antes de novembro, sem antes ter uma informação mais clara de quando a vacina irá sair de fato, e a questão da imunização para todos os habitantes e turistas que vem para cá na época do Carnaval? Então não, acho que deve ser depois das eleições essa discussão”, finaliza.

O carnaval de rua é feito pela Secretaria Municipal de Cultura, portanto, o adiamento ou não é uma decisão dada pela administração municipal. Já o Carnaval de Sambódromo, a organização é realizada pela Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo e, portanto, necessário de aval da entidade.

A reportagem entrou em contato com a prefeitura de São Paulo e aguarda retorno. O espaço está aberto para manifestação. 

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