Inflação

R7 Planalto Crise hídrica pode adicionar um ponto percentual na inflação em 21

Crise hídrica pode adicionar um ponto percentual na inflação em 21

Estudo da RPS Capital mostra que aumento das bandeiras tarifárias podem levar a inflação para acima de 7%, além do teto da meta 

  • R7 Planalto | Mariana Londres, de Brasília

Crise hídrica pode adicionar um ponto percentual na inflação em 2021

Crise hídrica pode adicionar um ponto percentual na inflação em 2021

Adriano Ishibashi/Framephoto/Estadão Conteúdo - 22.06.2021

A crise hídrica que o País enfrenta pode adicionar até um ponto percentual na inflação 2021 e reduzir até 2,1% do PIB, a soma das riquezas produzidas no País. A conclusão é de estudo da RPS Capital, elaborado pelos economistas Gabriel Barros e Gustavo Fabrício. 

O Brasil reduziu a sua dependência na geração hidrelétrica de energia de 90% para 70% nos últimos anos, mas como o patamar ainda é alto, a falta de chuvas acaba tendo um grande impacto no preço da energia, pois um menor volume de água nos rios significa também menor volume de energia hidrelétrica (mais barata) gerada. 

Conforme antecipou o Blog do Nolasco, o governo deve anunciar na próxima semana o reajuste da bandeira vermelha 2, o patamar mais alto aplicado nas contas de luz, em razão da crise hídrica. O Ministério da Economia propôs um aumento de cerca de 50%, que deve prevalecer por mais tempo - em vez de optar por um aumento maior por menos tempo. Assim, o custo da geração de energia deve aumentar de R$ 9,49 para cerca de R$ 14 já a partir de setembro.

De acordo com o estudo da RPS, o aumento das bandeiras tarifárias em 2021 terá um custo estimado de R$ 13 bilhões no ano e deve afetar ainda a inflação do ano que vem. 

"No curto prazo, o cenário hídrico desfavorável tem pressionado a inflação através da elevação das bandeiras tarifárias, cujo custo estimado é de R$13 bilhões somente neste ano. Ainda que o acionamento das térmicas esteja sendo parcialmente custeado este ano, parte do maior custo com a compra de energia afetará ainda a inflação de 2022, por meio do processo de revisão tarifária das distribuidoras. Estimamos que para este ano, a crise hídrica adicione aproximadamente 1 ponto percentual ao IPCA, que deverá encerrar acima de 7%", diz o estudo. 

O centro da meta de inflação para 2021 é de 3,75%. Pelo sistema vigente no país, a meta será considerada cumprida se a inflação ficar entre 2,25% e 5,25%.

Além da falta de chuvas, que deixou a “caixa d’ água” do País (as regiões Sudeste e Centro-Oeste) com reservatórios no menor nível em 91 anos, há outros fatores que pressionam a inflação para cima, no que os econonistas Gabriel Barros e Gustavo Fabrício chamam de "tempestade perfeita" na inflação.

Esses fatores são: os choques de oferta na cadeia de suprimento de bens industriais, a elevação do custo global do frete, a inflação de alimentos, na esteira da valorização das commodities e depreciação do câmbio (R$/US$) e o efeito das geadas na quebra de safra de culturas importantes como milho, trigo e café. 

O estudo aponta ainda que a situação para 2022 depende do volume de chuvas no período úmido do País, entre outubro a abril, que se ficar abaixo da média pode deteriorar a situação.

PIB

Existe uma correlação entre demanda de energia e crescimento do PIB, quando o País cresce mais, o consumo de energia é maior e também é preciso ter energia para que o país possa produzir e crescer. De acordo com a RPS, em um cenário pessimista de crise hídrica, a perda de potencial de crescimento econômico pode chegar a 2,1% (redução compulsória de carga de 15%). No cenário otimista, a perda é de 0,7% (redução de carga de 5%). No cenário base, a perda de potencial é de 1,4% (redução de carga de 10%).

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