Desastre ambiental obriga país a adiar divergências e unir esforços 

Se houve omissão ou prática criminosa, interessa a todos saber, mas a prioridade é conter danos e buscar soluções para o vazamento de óleo 

Voluntários e operários fazem limpeza de mancha de óleo que chegam às praias de Itapuama e praia de Xareu em Cabo de Santo Agostinho (PE)

Voluntários e operários fazem limpeza de mancha de óleo que chegam às praias de Itapuama e praia de Xareu em Cabo de Santo Agostinho (PE)

ADEMAR FILHO/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Nada mais inútil do que continuar procurando culpados pelo desastre ambiental no Nordeste. Neste momento, já se tornou perda de tempo cobrar explicações do governo sobre se o Plano de Contingenciamento foi acionado de forma e prazo corretos. A essa altura, tanto faz se o óleo é capitalista ou bolivariano.

Lá na frente, o país pode voltar a apurar responsabilidades. Se houve omissão ou prática criminosa, interessa a todos saber. Agora, a prioridade é conter danos e buscar soluções para a maior tragédia que atingiu nosso litoral.

Por qualquer ângulo que se analise, os prejuízos econômicos, a desgraça ecológica e o desgaste da imagem do Brasil no Exterior atingem a todos os brasileiros.  Já sabemos que ajuda estrangeira não virá, pouco importando o que houve de politicagem ou legítimo interesse internacional.

O Exército colocou tropas à disposição das operações de limpeza das praias. As crostas recolhidas estão sendo entregues para reciclagem em fábricas de cimento. Ministros têm agenda nos estados atingidos, inclusive com governadores de oposição. A população continua dando exemplo cívico ao se dispor a participar de mutirões. O Bahia entra em campo nesta segunda (21) com a camisa do time simbolicamente manchada de óleo.

É disso que se trata, é isso que importa: arregaçar as mangas, unir esforços, adiar divergências e focar no enfrentamento de mais um desafio urgente. O resto é chorume.