Doria e Covas criticam deputados que visitaram hospital de campanha

Cinco parlamentares fiscalizaram nesta quinta-feira (4) as instalações do Anhembi, em SP, com críticas aos números relacionados ao coronavírus

João Doria e Bruno Covas, ambos do PSDB, em vídeo

João Doria e Bruno Covas, ambos do PSDB, em vídeo

Reprodução

O governador de São Paulo e o prefeito da capital paulista, João Doria e Bruno Covas, respectivamente, gravaram um vídeo nesta sexta-feira (5) sobre a fiscalização feita por parlamentares no hospital de campanha do Anhembi na tarde da última quinta-feira (4).

Cinco deputados estaduais - Adriana Borgo (Pros), Marcio Nakashima (PDT), Leticia Aguiar (PSL), coronel Telhada (PP) e Sargento Neri (Avante) - visitaram as instalações do hospital de campanha, causando tumulto no local, com as críticas de que os números de mortes e casos de covid-19 na capital paulista são incertos e o dinheiro usado no combate ao coronavírus, mal-empregado.

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Os parlamentares gravaram vídeos mostrando uma ala do hospital ainda inativa e, portanto, vazias. De acordo com a prefeitura, os deputados “invadiram de maneira desrespeitosa, agredindo pacientes e funcionários verbal e moralmente, colocando em risco a própria saúde porque inicialmente não estavam usando EPI e a própria vida dos cidadãos que estão internados e em tratamento na unidade".

Nesta sexta, o governador e o prefeito se pronunciaram sobre o episódio. “Eu queria registrar a nossa indignação e repúdio a atitude de alguns deputados estaduais de São Paulo que invadiram o hospital de campanha no Anenhmbi, criando temor e pânico nos médicos, paramédicos, enfermeiros e também nos pacientes que estavam sendo atendidos”, disse Doria.

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“Se querem fazer política, façam na Assembleia Legislativa. Não façam em hospitais de campanha. Se querem fazer denúncia, vocês sabem como utilizar os mecanismos para isso, não fazendo daquilo um espetáculo para o atendimento de suas vantagens ou desejos de ordem política”, acrescentou o governador.

Já o prefeito da capital paulista argumentou que o hospital de campanha do Anhembi foi uma estratégia da administração municipal que possibilitou atender toda a população infectada com covid-19. “Investimento bem feito na prevenção, ajudou a desafogar os hospitais e ajudou a valer um princípio importante na cidade: ninguém ficou sem atendimento”, disse.“Lamento que esses parlamentares queiram produzir fake news e politizar uma questão importante que é a saúde pública”, completou.

Funcionária do hospital de campanha do Anhembi, uma médica relatou que os deputados estaduais “entraram nas enfermarias filmando e contando, filmando os pacientes, não falaram nada e saíram”.

“Parecia um pesadelo. E um deles ainda falava: ‘filma a cama vazia, filma a cama vazia’, e desviava do lado em que estávamos com os pacientes”, afirmou, na condição de anonimato.

Parlamentares

Nas redes sociais, o deputado Marcio Nakashima afirmou que recebeu autorização para entrar no hspital e que "não houve invasão ou desrespeito a funcionários e pacientes".  "Após princípio de tumulto, pudemos conferir mais um exemplo de má gestão dos recursos públicos. O governo quer alugar leitos de hospitais privados e vemos esta estrutura inoperante", disse.

Já Telhada defendeu que as acusaçoes são infudadas e as imagens, falam por si. "Quem tem que se explicar não somos nós, é a prefeitura. Não vamos parar a fiscalização!", escreveu o deputado.

A parlamentar Letícia afirmou, no Twitter, que as alas estavam inativas, sem camas, equipamentos, tampouco funcionários. "O grupo PDO solicitará esclarecimentos à prefeitura, depois estudará providências", garantiu.

"Estamos cumprindo somente o nosso papel. Um hospital enorme, sem demanda há um custo muito alto, estamos questionando a necessidade disso, o dinheiro público que está sendo jogado fora porque não tem demanda, a prefeitura deveria recuar e desativar estas alas que estão vazias", acrescentou.