Crise na Venezuela
R7 Planalto Fim da crise na Venezuela passa por saída honrosa para Maduro

Fim da crise na Venezuela passa por saída honrosa para Maduro

Avaliação é do professor de Relações Internacionais da FAAP, José Roberto de Araújo Cunho, que alerta o risco e confronto entre Exército e população

Venezuela fronteira brasil

Venezuelanos tentam deixar o país após fechamento da fronteira com o Brasil

Venezuelanos tentam deixar o país após fechamento da fronteira com o Brasil

Ricardo Moraes/Reuters

O professor de Relações Internacionais da FAAP, José Roberto de Araújo Cunha, mestre em Relações Internacionais pela Carleton University, no Canadá, afirma que a situação na Venezela é preocupante pela falta de perspectiva no momento de um acordo entre o presidente Nicolás Maduro e o líder da Asssembleia Nacional, Juan Guaidó, que se declarou presidente interino. Em entrevista ao R7, Araújo Cunha lembrou que a Venezuela é um país rico em petróleo, por isso não são apenas as questões sociais que movem a pressão feita pelos países de economias desenvolvidas. O professor teme pela possibilidade de confronto nas grandes cidades entre o Exército e a população, pois até o momento as Forças Armadas demostram estar ao lado de Maduro.

R7: Que análise o senhor faz do atual momento da crise na Venezuela, com o fechamento da fronteira com o Brasil e pelo menos duas mortos no confronto do Exército com civis?

A situação é preocupante. Em primeiro lugar,  porque a Venezuela é um país com enormes reservas de petróleo e isso atrai a atenção de todas as economias desenvolvidas. Em segundo, porque a situação social é muito grave com a falta de alimentos e remédios, o que provoca na população um sofrimento muito grande. Não coloco em segundo lugar a questão social por ser menos importante, é que a primeira preocupação de alguns atores internacionais é o petróleo, seguido da questão humanitária. Outros  países que têm problemas dobrados em comparação à Venezuela, como a Etiópia e o Iêmen, não estão recebendo a mesma atenção.

R7: Até quando  Maduro resistirá. Ele só vai deixar o poder se receber asilo político de algum país ou morto?

A questão interna na Venezuela eu diria que é uma queda de braço que envolve o Exército diretamente. É saber se Exército vai continuar fiel ao presidente Nicolás Maduro, que é o presidente de fato, ou se passará ser fiel ao líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que se declarou presidente interino do país. Isso é muito preocupante porque você não pode colocar a população em confronto com o Exército, como acabou de acontecer na fronteira com o Brasil. O Estado tem o poder da força e hoje o Exército está ao lado de Maduro. As negociações não estão ocorrendo de uma maneira que permita uma saída pacífica, ambos os lados estão irredutíveis. Não é só  Maduro que precisa de uma saída honrosa, as negociações envolvem o presidente e todo o seu grupo, como militares e autoridades de governo. O ideal seria um acordo em que algum país, como Rússia ou China, dê asilo a Nicolás Maduro, em vez de um confronto interno que acabe na morte do presidente.

R7: O Brasil é um ator importante nessa crise na Venezuela e pressiona pela saída de Nicolás Maduro do poder. O governo Bolsonaro pode ser levado para dentro desse conflito?

As forças externas estão chegando com alimentos e medicamentos sem querer exacerbar o direito de soberania da Venezuela. Eu vejo a ação do Brasil de maneira acordada com outras nações. Colômbia, Estados Unidos, União Europeia e Canadá estão preocupados em resolver essa situação e já deixaram claro que  Maduro deve deixar a presidência da Venezuela. Quem tem fronteira fica mais preocupado, como no caso da Colômbia e do Brasil. Daqui a pouco não haverá mais como segurar na Venezuela todas as pessoas que passam por dificuldades  e o Brasil tem obrigação ajudar. Eu não vejo nenhuma  tentativa da Venezuela querer enfrentamento militar com o Brasil, fico mais preocupado com a Colômbia.