R7 Planalto Gesto de assessor de Bolsonaro repercute entre políticos

Gesto de assessor de Bolsonaro repercute entre políticos

Filipe Martins gesticulou com as mãos símbolo considerado obsceno e racista. Polícia Legislativa irá investigar caso

  • R7 Planalto | Plínio Aguiar, do R7

Na imagem, assessor Filipe Martins faz gesto

Na imagem, assessor Filipe Martins faz gesto

Reprodução

O gesto obsceno e racista feito pelo assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Filipe Martins, durante sessão realizada no Senado Federal nesta quarta-feira (24) repercutiu entre políticos.

Enquanto o presidente Rodrigo Pacheco (DEM-MG) realizava a abertura da sessão, Martins gesticulou um gesto considerado obsceno e racista, uma vez que é ligado ao movimento de supremacistas brancos. O episódio foi flagrado por imagens da TV Senado. Pacheco determinou que a Polícia Legislativa apurasse o fato.

Martins, por sua vez, alega que estava “ajeitando a lapela do terno”. “Um aviso aos palhaços que desejam emplacar a tese de que eu, um judeu, sou simpático ao "supremacismo branco" porque em suas mentes doentias enxergaram um gesto autoritário numa imagem que me mostra ajeitando a lapela do meu terno: serão processados e responsabilizados; um a um”, afirmou.

“A oposição ao Governo atingiu um estado de decadência tão profundo que tenta tumultuar até em cima de assessor ajeitando o próprio terno. São os mesmos que vêem gesto nazista em oração, que forjam suásticas e que chamam de anti-semita o governo mais pró-Israel da história”, acrescentou.

O deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ), aliado do presidente Jair Bolsonaro, saiu em defesa do assessor. "Revoltante ver um irmão tão querido ser acusado injustamente desse absurdo, o que banaliza um assunto sério e desvia o foco de quem verdadeiramente tem promovido ações radicais que destroem a dignidade humana dos mais pobres, hoje proibidos de trabalhar e sustentar suas famílias", disse.

Ex-secretário especial de Comunicação Social do Ministério das Comunicações, Fábio Wajngarten afirmou que banalizar os crimes do nazismo é grave. "Se ajeitar o terno é sinal de nazismo, que nome daremos aos que trabalham dia e noite para atacar o Estado de Israel? Banalizar os crimes do nazismo para atacar justamente aqueles que mais combatem o anti-semitismo é uma ofensa grave à memória de todas as vítimas do holocausto", disse.

Wajngarten escreveu que trabalhou com Martins durante dois anos e sempre viu o assessor como um dos dos principais aliados da comunidade judaica no governo. "A acusação que fazem contra ele é ridícula, criminosa e um insulto aos judeus, pois banaliza o sofrimento do nosso povo para atingir um adversário político."

A líder do PSOL na Câmara dos Deputados, Talíria Petrone, afirmou que o episódio é inadmissível. "Esse é o tipo de gente que assessora o presidente", disse.

O senador Humberto Costa (PT-PE) também comentou sobre o caso. "O assessor internacional da Presidência da República, Filipe Martins, que fez um gesto de supremacismo branco no Senado, tem de ser rigorosamente punido. É apenas mais um absurdo vindo desse governo", afirmou.

O Museu do Holocausto divulgou uma nota repudindo o fato. "É estarrecedor que não haja uma semana que o Museu do Holocausto de Curitiba não tenha que denunciar, reprovar ou repudiar um discurso antissemita, um símbolo nazista ou ato supremacista. No Brasil, em pleno 2021. São atos que ultrapassam qualquer limite de liberdade de expressão", disse.

"Estupefatos, tomamos notícia do gesto do assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República durante sessão no Senado Federal. Semelhante ao sinal conhecido como OK, mas com 3 dedos retos em forma de "W", o gesto transformou-se em um símbolo de ódio", esclarece. 

Defesas

O assessor recebeu apoios e defesas públicas. A Comunidade Brasil & Israel fez um apelo ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. "A Comunidade Brasil Israel solicita ao senhor a grandeza e a bondade de não referendar a injustiça de apoiar a imputação de uma acusação leviana e que não tem fundamento na verdade", escreveu a presidente de organização, Jane Silva, em carta.

Rafael Nogueira, presidente da Fundação Biblioteca Nacional, escreveu que, quem ataca Filipe Martins quer violência. "Violência contra um desafeto, um adversário político. Criam então o alvo, apontando nazismo onde não há".

"Não é sobre um gesto, mas sobre a nossa LIBERDADE! Filipe deve ficar", escreveu Dr. Vinicius Rodrigues, Secretário de Saúde de Sorocaba (SP).

Felipe Cruz Pedri, secretário de Comunicação Institucional do governo, saiu em defesa a Martins e disse que os críticos usaram um "subterfúgio juvenil".

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