R7 Planalto Heleno diz que Amazônia é 'terra problema' e critica líderes europeus

Heleno diz que Amazônia é 'terra problema' e critica líderes europeus

Afirmação foi dada pelo ministro-chefe do GSI durante coletiva de imprensa sobre o programa Verde Brasil 2, que combate desmatamento na região

  • R7 Planalto | Plínio Aguiar, do R7

Na imagem, Augusto Heleno, ministro do GSI  (Gabinete de Segurança Institucional)

Na imagem, Augusto Heleno, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional)

Adriano Machado-04.mar.2020/Reuters

O ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Augusto Heleno, afirmou nesta segunda-feira (11) que a Amazônia “é uma terra problema” e voltou a criticar indiretamente líderes europeus ao comentar sobre o desmatamento na região.

“A Amazônia Legal tem mais de 5 milhões de quilômetros quadrados. A Europa inteira cabe na Amazônia Legal. Tudo na Amazônia é grandioso. Um dos grandes problemas para a fiscalização na região são os meios de transporte”, disse, quando questionado sobre o aumento de desmatamento na região.

Leia mais: Desmatamento na Amazônia aumenta 64%, segundo Inpe

Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontam que os alertas de corte raso de floresta, alheios à pandemia do novo coronavírus, voltaram a apresentar alta no mês de abril em relação ao mesmo mês do ano passado. Foram derrubados 405,61 km² de floresta entre 1º e 30 de abril, ante 247,39 km² no mesmo período de 2019 – uma alta de 64%.

“Quando se fala em presença, precisaríamos de um efetivo muito maior, de um gasto muito maior. O grande segredo é como otimizar recursos e meios diante de uma área gigantesca, onde há um vazio de presença humana, seríssimos problemas não só de ambiente. Então a Amazônia é uma terra problema, e o Brasil precisa encarar isso com muita coragem, determinação e também bom senso”, acrescentou Heleno.

Veja também: Forças Armadas são autorizadas a ajudar no combate desmatamento ilegal na Amazônia

“A gente não pode aceitar essa pecha de vilões. Se eles estivessem aqui, talvez não conseguissem fazer isso, porque não conseguiram impedir que as suas florestas fossem devastadas e agora querem ensinar a gente a preservar a Amazônia”, afirmou, em referência indireta a líderes europeus.

O Brasil foi protagonista de um embate climático mundial no ano passado por causa do aumento do desmatamento na região amazônica. As críticas e ofensas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) surgiram em resposta à sua condução para conter as queimadas, tema que entrou na pauta principal do encontro do G7, grupo das sete maiores economias do mundo. Na ocasião, o Inpe apontou aumento de 84% de incêndios florestais em 2019 em comparação com 2018.

Nesta segunda, Heleno reconheceu que conter o desmatamento e as queimadas “não é uma tarefa fácil”. “A Amazônia é, sem dúvida, um grande futuro pro Brasil, mas é preciso tratar a Amazônia com respeito, veneração, dedicação e, principalmente, bom senso. Não é uma tarefa fácil, é uma tarefa para grandes homens e é isso que a gente tem que ter na cabeça”, argumentou.

Confira: Indígenas da Amazônia criam fundo para combater coronavírus

As afirmações dadas por Heleno ocorreram durante coletiva de imprensa, convocada pelo vice-presidente, Hamilton Mourão, para atualizar os dados da operação Verde Brasil 2, iniciada nesta segunda-feira (11) pelas Forças Armadas, para combater o desmatamento e focos de incêndio na Amazônia Legal.

A operação de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) foi autorizada pelo presidente Bolsonaro. Batizada de Verde Brasil 2, a GLO foi iniciada em Pará, Rondônia e Mato Grosso. As ações, coordenadas por Mourão, irão até o dia 10 de junho.

Mourão informou que a segunda operação contou com o auxílio de 3.800 homens, 110 viaturas, 20 embarcações e 12 aeronaves. Segundo o vice-presidente, a ação tem o custo inicial de R$ 60 milhões.

Participaram da coletiva os ministros Ricardo Salles (Meio Ambiente), André Mendonça (Justiça), Fernando Azevedo e Silva (Defesa) e Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação).

“Há a necessidade de avançar em quatro temas: regularização fundiária, zoneamento, pagamento de serviços ambientais e agenda da bioeconomia”, argumentou Salles. O ministro do Meio Ambiente defendeu, também, o papel do Ibama e ICMbio no combate às irregularidades registradas na região.

Últimas