Reforma da Previdência
R7 Planalto Inflação ameaça Brasil sem reforma da Previdência, diz economista

Inflação ameaça Brasil sem reforma da Previdência, diz economista

Bolsonaro bateu martelo sobre a proposta. Governo quer aprovação rápida para começar a reduzir déficit nas contas públicas

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Proposta de reforma da Previdência de 308 votos para ser aprovada na Câmara

Proposta de reforma da Previdência de 308 votos para ser aprovada na Câmara

José Cruz/Agência Brasil 01.01.2019

O presidente Jair Bolsonaro decidiu nesta quinta-feira (14) a proposta de reforma da Previdência que será enviada ao Congresso. O projeto prevê idade mínima de 65 anos para homens e 62 para mulheres.

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Promessa de campanha de Bolsonaro e também uma necessidade para o país, de acordo com estudos de vários economistas, a previsão no momento é de que a proposta sofra várias alterações no Congresso, o que pode desfigurar o projeto que o ministro da Economia, Paulo Guedes, considera ideal para o país retomar o crescimento econômico.

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Os líderes do governo na Câmara e no Senado ainda não têm como garantir a formação de uma base coesa para aprovar uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional), que precisa de 308 votos dos 513 deputados na Câmara, em duas votações, antes de seguir para o Senado.

O analista de Investimentos da Toro Investimentos, Lucas Lima, lembra que os rombos nas contas do governo com o pagamento de aposentadorias são crescentes. "Em 2018 o governo gastou R$ 290 bilhões, sendo R$ 195,2 bi para os aposentados do INSS, e o restante servidores públicos federais e os militares. Se esse déficit continuar crescendo em algum momento o país vai quebrar, pois não haverá mais recursos para pagar as aposentadoria", diz o economista.

Para este ano, somente com as aposentadorias do INSS, a previsão é de déficit de R$ 218 bilhões.São 35 milhões de beneficiários, entre aposentados e pensionistas.

Lucas Lima afirma que diante desse cenário de déficit crescente uma saída para o governo seria emitir mais moeda para obter os recursos das aposentadorias, mas as consequências poderiam ser graves para o país. "A emissão de moeda além do necessário pode trazer de volta a inflação, se isso acontecer os juros voltarão a subir e os investidores, em vez de aplicar seus recursos no setor produtivo, vão optar pelo mercado financeiro por ser mais vantajoso,e os resultados serão o aumento do desemprego e a recessão.

Histórico de inflação

O Brasil viveu a hiperinflação nos anos 1980 e início dos anos 1990, quando a inflação chegou a superar 80% ao mês. As causas estavam relacionadas ao aumento dos gastos públicos durante o regime militar e a elevação do endividamento externo que foi agravado pela crise mundial do petróleo. Nos supermercados, comerciantes reajustavam os preços diariamente. Preços públicos e salários subiam automaticamente todo mês, logo após a divulgação da inflação do mês anterior, o que provocava um efeito bola de neve.

Os governo Sarney e Collor, após o fim do regime militar, lançaram sete planos econômicos para combater a inflação: Cruzado (início de 1986), Cruzadinho (meados de 1986), Cruzado II (final de 1986), Bresser (junho de 1987), Verão (janeiro de 1989), Collor (março de 1990) e Collor 2 (janeiro de 1991). Nenhum deles deu certo. Somente em 1994, com Plano Real no governo Itamar Franco, e sua manutenção e seu prosseguimento no Fernando Henrique Cardoso, o país conseguiu reduzir a inflação.

A inflação no Brasil em 2018 foi de 3,75, de acordo com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), considerado o índice oficial. O resultado ficou abaixo do centro da meta fixada pelo governo, que era de 4,5%.