Invasão de embaixada da Venezuela é precedente perigoso

O Estado brasileiro é responsável pela integridade do corpo diplomático e não pode passar a impressão de tolerância com os invasores

Manifestantes em frente à embaixada venezuelana em Brasília

Manifestantes em frente à embaixada venezuelana em Brasília

Cláudio Reis/Estadão Conteúdo

Na minha época, invasão de embaixada era ato terrorista. Por motivos que ainda não se tornaram claros, parece estar havendo um tratamento negligente e perigoso com relação à tomada da representação diplomática venezuelana em Brasília. É um ato violento, gravíssimo, praticado por seguidores de Juan Guaidó horas antes do início das atividades da 11ª Cúpula do BRICS.

Uma ação com essa audácia costumava ser sinônimo de mobilização de snipers, helicópteros fumegantes e brigadas de elite acionadas para agir de forma implacável. Embaixada é território sagrado, uma conquista civilizatória, ponto inegociável por todo e qualquer diplomacia, inclusive a de regimes sanguinários.

É só imaginar a reação internacional se militantes a serviço de Evo Morales invadissem a embaixada boliviana no México. Caso o governo mexicano se mostrasse dúbio e não tomasse medidas enérgicas, seria acusado de patrocinar uma aventura paramilitar de potencial explosivo.

Brasília precisa ter agilidade e não ceder a bravatas. O Estado brasileiro é responsável pela integridade de todos os funcionários abrigados na embaixada. Em nenhum momento pode passar a impressão de estar sendo tolerante ou minimizando a inconsequência dos alucinados que eventualmente tenham considerado a invasão uma ideia divertida e rebelde.

O principal é não descartar uma hipotética retaliação por parte de Nicolas Maduro. Moderação não é o forte do governo de Caracas. Não há nisso juízo de valor, só pura e simples aritmética política. Se a situação se estender, aumenta o tom vermelho do sinal de alerta. Pessoas que invadem embaixada nunca são inofensivas – até porque se pressupõe que sejam todos, no mínimo, malucos.

PS: Por volta de 18h desta terça-feria (13), os invasores deixaram a embaixada pela porta dos fundos. Além de fanfarrões, covardes.