R7 Planalto Leia carta enviada pelo Butantan a Saúde com oferta de vacina

Leia carta enviada pelo Butantan a Saúde com oferta de vacina

Documento foi encaminhado em 30 de julho de 2020 ao ministério, comandado na época pelo general do Exército Eduardo Pazuello

À mesa, diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas

À mesa, diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas

Jefferson Rudy/Agência Senado - 27.05.2021

Em depoimento à CPI da Covid nesta quinta-feira (27), o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que houve a oferta de 60 milhões de doses da CoronaVac, vacina contra a covid-19, ao Ministério da Saúde em 30 de julho de 2020.

“Diante de todo exposto e com a intenção de somar esforços ao combate à pandemia da covid-19, o Instituto Butantan comunica a esse Ministério da Saúde a disponibilidade de fornecimento de 60 milhões de doses da vacina contra a covid-19 no último trimestre de 2020”, afirma o documento, obtido pelo R7 Planalto.

“Além disso, frisamos à medida que as etapas de internalização da tecnologia forem concluídas, o Instituto Butantan ampliará a capacidade de fornecimento da vacina em relação ao ano de 2021”, acrescenta.

Covas disse que o instituto, porém, não recebeu nenhuma resposta. Na época, a pasta era comandada, de forma interina, pelo general da ativa do Exército Brasileiro Eduardo Pazuello.

Leia, abaixo, a carta na íntegra:

“Ilustríssimo Senhor Ministro,

O Instituto Butantan vem por meio do presente apresentar a esse ministério a parceria para o desenvolvimento da vacina contra a covid-19 celebrada com o laboratório de biotecnologia chinês Sinovac em 8 de julho de 2020 e informar a capacidade de fornecimento ao Sistema Único de Saúde de 60 milhões de doses da vacina a partir do último trimestre de 2020.

Inicialmente, relevante mencionar o histórico de atuação e papel deste instituto no combate a pandemias e epidemias, cuja a própria criação é decorrente de uma resposta da administração pública para o enfrentamento ao surto de peste bubônica em 1901. Atualmente, e durante a pandemia do novo coronavírus, o Instituto Butantan alcançou um recorde de 80 milhões de doses da vacina da gripe (10% da produção mundial) e conta também com uma instalação fabril para a vacina da dengue com previsão de produção para o próximo ano e recentemente firmou parceria com o desenvolvimento da vacina contra chikungunya.

Nesse contexto, no qual o Brasil está há mais de 4 meses adotando as políticas de quarentena e sem previsões palpáveis de retomada do convívio social integral e das atividades econômicas, não restam dúvidas de que o desenvolvimento de uma vacina segura e eficaz contra a covid-19 é a estratégia mais promissora para combater a pandemia do coronavírus. Sabe-se ainda que o maior gargalo quanto ao desenvolvimento desta vacina é garantir o atendimento à demanda de produção e distribuição global de bilhões de doses, incluindo a necessidade de insumos estratégicos e a logística necessária para a execução.

Nesse diapasão, desde os primeiros casos relatados na China o Instituto Butantan tem empregado seus melhores e maiores esforços para trazer soluções ao enfrentamento da pandemia, e como resultado celebrou em 8 de junho o acordo de parceria para o desenvolvimento clínico da vacina inativada contra a covid-19, com a empresa de biotecnologia chinesa Sinovac.

Mister se faz assinalar que a vacina contra a covid-19 encontra-se em estágio avançado de desenvolvimento, isto é, não apenas mostrou segurança e eficácia nas fases 1 e 2 dos ensaios clínicos desenvolvidos pela Sinovac na China, como utiliza uma tecnologia conhecida pelo Instituto Butantan, tradicional e amplamente utilizada em outras vacinas possuindo elevada probabilidade de sucesso e sendo ainda de fácil incorporação no sistema de saúde, e portanto, uma forte candidata vacinal, que por se tratar de vacina de vírus inteiro inativo, possui como antígeno todas as proteínas do vírus, o que faz com que aumente o espectro de anticorpos neutralizantes do vírus Sars-Cov-2 pelo paciente.

A parceria entre o Instituto Butantan e a Sinovac envolve quatro etapas. A primeira é o estudo clínico fase 3 que será patrocinado e executado pelo Instituto Butantan, o qual foi aprovado pela Anvisa e pela Comissão de Ética em Pesquisa Clínica, e já iniciado no mês de julho. A segunda etapa da parceria envolve o fornecimento da Sinovac para o Butantan do produto acabado para o uso emergencial e imediato da vacina, estimado em 60 milhões de doses que poderão ser inicialmente destinadas aos grupos de risco e profissionais de saúde, a partir da aprovação do registro do produto pela Anvisa. A terceira fase ocorre paralelamente à segunda, e compreende na absorção da tecnologia do envase da vacina nas instalações do Instituto Butantan tão logo o registro do produto seja aprovado pela Anvisa.

Durante a terceira fase o Butantan terá a capacidade de produzir em sua instalação fabril aproximadamente 100 milhões de doses por ano da vacina a partir de 2021.

A quarta etapa da vacina envolve a transferência de tecnologia ao Instituto Butantan, a qual permitirá a internalização do processo de produção do princípio ativo da vacina contra covid-19 de forma independente e nacionalizada, proporcionando autossuficiência nacional de produção da vacina e amplo fornecimento à população brasileira através desse ministério.

Diante de todo exposto e com a intenção de somar esforços ao combate à pandemia da covid-19, o Instituto Butantan comunica a esse Ministério da Saúde a disponibilidade de fornecimento de 60 milhões de doses da vacina contra a covid-19 no último trimestre de 2020. Além disso, frisamos à medida que as etapas de internalização da tecnologia forem concluídas, o Instituto Butantan ampliará a capacidade de fornecimento da vacina em relação ao ano de 2021.

Diante disso, colocamo-nos à disposição desse ministério para esclarecimentos que se façam necessários a efetivação do fornecimento da referida vacina.

Cordialmente,
Prof. Dr. Dimas Tadeu Covas
Diretor do Instituto Butantan."

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