Líder de PMs amotinados no Ceará afirma que greve irá continuar

Ministros do STF argumentam que paralisação é ilegal e Cabo Sabino aponta que protestos por melhores condições de trabalho irão continuar em Sobral

Ex-deputado e líder do movimento dos policiais amotinados, cabo Sabino

Ex-deputado e líder do movimento dos policiais amotinados, cabo Sabino

Reprodução Facebook

Ex-deputado federal e líder do movimento dos policiais amotinados em Sobral (CE), cabo Sabino afirmou ao R7 Planalto que irá continuar com a greve que reivindica melhores condições de trabalho mesmo após ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) argumentarem que a paralisação é inconstitucional.

“Não temos como não continuar com a paralisação por melhores condições de trabalho. Mesmo com o STF, vamos continuar em greve”, disse. “Até porque quem foi agressivo e agiu com desordem foi o senador licenciado e não nós.”

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Sabino argumenta que a categoria reivindica reajuste salarial, regulamentação da jornada de trabalho de pelo menos 40 horas semanais e também um vale refeição no mesmo valor que os demais servidores do Estado do Ceará – segundo ele, policiais recebem R$ 259 mensais, enquanto que os outros, R$ 320 mensais.

A proposta dada por Camilo Santana (PT) é de reajuste de 32% para coronel e 12%, sargento. “É muito aquém para a polícia. O governador tira gratificações e vantagens do policial para transformar em salário”, aponta.

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A escalada da crise entre a categoria e o governo petista ocorreu na tarde de quarta-feira (19). Na ocasião, o senador licenciado Cid Gomes manobrou uma retroescavadeira em direção a agentes de segurança que bloqueavam a entrada do batalhão da Polícia Militar de Sobral. No momento em que ele avançava, tiros de arma de fogo foram disparados e atingiram Gomes. O parlamentar, contudo, passa bem e foi transferido nesta quinta para Fortaleza.

“Ainda bem que eu não estava lá. Caso contrário, ia dar voz de prisão ao senador por crime hediondo, quando ele usou a retroescavadeira para passar em cima de pessoas, de crianças, de familiares e de PMs”, afirma. “Se não estivesse um PM que tivesse feito a legítima defesa dos que estavam ali, hoje nós estaríamos enterrando corpos assassinados pelo senador licenciado.”

Uma comitiva de senadores irá para o Ceará a fim de abrir um canal de diálogo entre a categoria e o Governo do Estado. Além dos cearenses Tasso Jereissati (PSDB) e Eduardo Girão (Podemos), compõe o grupo Major Olímpio (PSL-SP) e Elmano Ferrer (Podemos-PI).