Lula será preso, e a democracia brasileira agradece

A prisão de um ex-presidente da República, seguindo todos os preceitos do ordenamento jurídico mostra a força da democracia brasileira

Lula saúda seus apoiadores, em São Bernardo

Lula saúda seus apoiadores, em São Bernardo

Reuters/Leonardo Benassatto/7.4.2018

A qualquer momento, Lula será preso.

É a primeira vez que um ex-presidente da República irá para a cadeia, condenado por crime comum. 

Hermes da Fonseca, Washington Luís, Artur Bernardes, Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros também foram encarcerados, mas todos em função das suas atividades políticas.

Lula na prisão é sinal de que a democracia brasileira está firme e forte.

E que o País, enfim, conhece os benefícios de viver em pleno estado de direito.

As acusações de perseguição política, feitas por Lula e seus seguidores, seguem apenas a narrativa de colocá-lo como uma vítima da elite, que está na gênese do Partido dos Trabalhadores, e que, no passado, gerou caminhões de votos.

Fora da esfera restrita aos fanáticos, esse discurso não para em pé. Como falar em sanha persecutória do Judiciário, quando se observa que Lula foi condenado em primeira e segunda instâncias. Depois, teve habeas corpus julgados no STJ e no STF.

Quinze magistrados, ao todo, nos quatro graus de jurisdição, foram contrários a Lula. Isso tudo em um prazo célere, que destoa da proverbial vagareza com que os processos dos mais pobres são analisados pela justiça.    

Lula só foi tratado dessa maneira porque, sejamos honestos, pertence à elite brasileira, que tanto ataca. Só alguém com o poder que ele detém, pode arcar com os custos de ter na sua defesa advogados renomados e caros como Sepúlveda Pertence e José Roberto Batochio.

Lula na cadeia é um emblema.

Um emblema de um novo País, em que um ex-presidente da República condenado a 12 anos e um mês de prisão deve ser tratado como qualquer criminoso comum.

Para a justiça, Lula não pode ser melhor nem pior do que qualquer ladrão de galinha.