R7 Planalto Ministério da Defesa aciona PGR contra ministro Gilmar Mendes

Ministério da Defesa aciona PGR contra ministro Gilmar Mendes

Ministro do STF disse, no sábado, que o "Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável". Fala gerou embate entre Corte e Forças Armadas

  • R7 Planalto | Clebio Cavagnolle, da Record TV, com Plínio Aguiar, do R7

Ministro da Defesa buscou PGR após fala de Gilmar

Ministro da Defesa buscou PGR após fala de Gilmar

Marcello Casal JrAgência Brasil - 01.04.2020

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, protocolou na tarde desta terça-feira (14) representação na PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Gilmar Mendes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal).

Mendes afirmou, no último sábado (11), que o "Exército está se associando a esse genocídio não é razoável" – uma referência às políticas adotadas pelo general Eduardo Pazuello, que comanda de forma interina o Ministério da Saúde. Desde que assumiu, o número de militares chegou a 22 na pasta.

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O R7 Planalto apurou que a representação protocolada pelo ministério é uma notícia de fato (espécie de apuração preliminar), para dar início à tramitação interna. Após a análise, a PGR vai decidir se o caso deve seguir ou se vai arquivá-lo. 

A afirmação de Mendes provocou um mal-estar entre o Judiciário e as Forças Armadas. No domingo (12), uma nota, assinada pelo ministro da Defesa e pelos três comandantes das Forças Armadas, foi divulgada em tom bastante crítico.

"Comentários dessa natureza, completamente afastados dos fatos, causam indignação. Trata-se de uma acusação grave, além de infundada, irresponsável e sobretudo leviana. O ataque gratuito a instituições de Estado não fortalece a democracia", afirmava a nota.

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Nesta terça, Mendes disse respeitar a atuação das Forças Armadas, mas relatou estar preocupado "com o rumo das políticas públicas de saúde" do país. “Em um contexto como esse (de crise aguda no número de mortes por covid-19), a substituição de técnicos por militares nos postos-chave do Ministério da Saúde deixa de ser um apelo à excepcionalidade e extrapola a missão institucional das Forças Armadas”, defendeu.

A representação feita na PGR também é assinada pelo comandante do Exército, Edson Pujol, um militares dos que mais se irritaram com as declarações de Mendes dentro das Forças Armadas.

Câmara dos Deputados
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), considerou que Mendes, de fato, "usou palavras duras" ao criticar a atuação de Pazuello e, nesse momento, "temos de baixar a temperatura".

"Acho que (a crítica) foi mais sobre a imagem do que ataque às Forças Armadas. É melhor a gente diminuir esse enfrentamento, precisamos respeitar o ministro (Gilmar Mendes) e as Forças Armadas e esperar que esse conflito seja encerrado rapidamente", disse Maia.

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