Moraes, do STF, aponta 'mecanismo coordenado' de fake news

Polícia federal cumpre 29 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro. Ordens são cumpridas no DF, RJ, SP, MT, PR e SC nesta quarta (27)

Na imagem, ministro do STF Alexandre de Moraes

Na imagem, ministro do STF Alexandre de Moraes

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, autor das ordens cumpridas pela PF (Polícia Federal) em operação contra fake news nesta quarta-feira (27), divulgou uma nota após as diligências.

“As provas colhidas e os laudos técnicos apresentados no inquérito apontaram para a existência de uma associação criminosa dedicada à disseminação de notícias falsas, ataques ofensivos a diversas pessoas, às autoridades e às instituições, dentre elas o Supremo Tribunal Federal, com flagrante conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática”, disse Moraes.

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“As investigações também apontaram que toda essa estrutura, aparentemente, estaria sendo financiada por empresários que, atuando de maneira velada, fornecem recursos das mais variadas formas para os integrantes dessa organização, inclusive impulsionando vídeos e materiais contendo ofensas e notícias falsas com o objetivo de desestabilizar as instituições democráticas e a independência dos poderes”, completou.

O ministro disse, também, que relatórios técnicos constataram a existência de um mecanismo coordenado de criação, divulgação e disseminação de notícias ofensivas e fraudulentas por meio das redes sociais, “de maneira a expor a perigo de lesão a independência dos poderes e o Estado de Direito”.

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Mais cedo, a PF cumpriu 29 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro Moraes, no âmbito do inquérito das fake news. As ordens foram cumpridas no Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso, Paraná e Santa Catarina.

O dono da Havan, Luciano Hang, assessores do deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP), o presidente do PTB, Roberto Jefferson, são alvos de busca e apreensão. Parlamentares como Carla Zambelli (PSL-SP), Bia Kicis (PSL-DF), Daniel Silveira (PSL-RJ), Junio Amaral (PSL-MG), Filipe Barros (PSL-PR), Gil Diniz (PSL-SP) e Luiz Phillipe Orleans e Bragança (PSL-SP) também são investigados, mas não há mandados de busca e apreensão. Os envolvidos negam as acusações.