R7 Planalto Morte de filho de doméstica escancara herança escravocrata

Morte de filho de doméstica escancara herança escravocrata

Patroa, mulher de prefeito de Tamandaré (PE), foi indiciada, pagou fiança e responderá em liberdade por homicídio culposo de menino de 5 anos

  • R7 Planalto | Marco Antonio Araujo, do R7

Câmera registra momento em que Miguel é deixado sozinho no elevador

Câmera registra momento em que Miguel é deixado sozinho no elevador

Reprodução/Record TV

É chocante a morte do pequeno Miguel Otávio Santana da Silva. A história já viralizou, espalhando nas redes sociais um rastro de revolta e indignação pelo que está sendo considerado mais um exemplo de racismo estrutural e crueldade de nossas elites econômicas.

O garoto, de 5 anos, caiu do nono andar de um condomínio de luxo, no Recife, local onde a mãe trabalha como empregada da família do prefeito de Tamandaré (PE). Sem aula por causa da pandemia, o pequeno foi junto para o apartamento dos patrões, no quinto andar do prédio.

A doméstica saiu para passear com o cachorro da casa. Miguel tentou ir atrás da mãe e entrou sozinho no elevador. Imagens mostram a primeira-dama da cidade litorânea apertando o botão do nono andar, em vez de proteger a criança.

É difícil discordar de quem se antecipa em um julgamento implacável contra a patroa, mesmo a mulher do prefeito sendo detida e indiciada por homicídio culposo, pelo qual responderá em liberdade, após pagar fiança de R$ 20 mil.

Nessa história estão vários componentes que caracterizam o que muitos estudiosos classificam como herança escravocrata da sociedade brasileira. O descaso, o egoísmo e a negligência são os aspectos mais visíveis de uma relação inimaginável em um pais civilizado, onde relações de trabalho e distinções entre classes jamais se confundem a ponto de permitir tamanha tragédia.

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