MPF pede inquérito sobre falas do presidente da Fundação Palmares

Denúncia aponta que Sérgio Camargo disse, em reunião com auxiliares, declarações de cunho racista contra praticantes de religião de matriz africana

Sérgio de Camargo, novo presidente da Fundação Palmares

Sérgio de Camargo, novo presidente da Fundação Palmares

Reprodução/Facebook

O MPF (Ministério Público Federal) requisitou, nesta sexta-feira (5), a abertura de inquérito policial para apurar possível crime de racismo praticado pelo presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo.

Segundo a denúncia, o investigado falou, em reunião com auxiliares, declarações de cunho racista contra todos os praticantes de religião de matriz africana.

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O órgão cita áudio divulgado pela imprensa em que Camargo teria declarado que não concederia benefícios a praticantes de religiões de matriz africana. "Não vai ter nada para terreiro na Palmares, enquanto eu estiver aqui dentro. Nada. Zero. Macumbeiro não vai ter nem um centavo (…).” Além disso, em outro momento da reunião, teria se referido ao movimento negro em tom pejorativo, como “escória maldita, que abriga vagabundos”.

O procurador responsável pelo caso, Peterson de Paula Pereira, solicitou que a Polícia Federal apure os relatos, lançando mão inclusive de oitiva com todos os envolvidos. A polícia também deverá realizar prova pericial a fim de confirmar a autenticidade dos áudios.

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A PF tem 30 dias para encaminhar ao MPF a portaria inaugural do inquérito e 90 dias (prorrogáveis) para conduzir as investigações.

Improbidade Administrativa

O MPF-DF recebeu ainda ofício encaminhado pela PFDC (Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão), solicitando possível abertura de investigação contra Sérgio Camargo não só por racismo, como por improbidade administrativa.

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Para o procurador federal dos Direitos do Cidadão, Carlos Alberto Vilhena, a conduta de Sérgio Camargo – divulgada no áudio revelado pela imprensa – revela “possível desvio de poder”, ao chamar o movimento negro de “escória maldita” e prometer exonerar servidores que divergirem do seu padrão ideológico.

A representação foi distribuída para o 2º ofício de Cidadania, Seguridade e Educação nesta manhã, 5, e está em análise pelo procurador titular do gabinete.

A reportagem busca contato com o acusado. O espaço está aberto para manifestação.