'Não há cabimento em manter o calendário do Enem', afirma Tabata

Deputada federal pelo PDT-SP argumenta que o não adiamento aprofundará a desigualdade. Exame está previsto para ocorrer nos dias 1º e 8 de novembro

Na imagem, deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) em sessão na Câmara

Na imagem, deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) em sessão na Câmara

Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Em função da pandemia do novo coronavírus, a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) é a favor da mudança do calendário de provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), previsto para ocorrer nos dias 1º e 8 de novembro deste ano. “Não há cabimento em manter o calendário. É muito óbvio que isso só vai aprofundar a desigualdade”, afirma ao R7 Planalto.

“Enquanto alunos de escolas particulares possuem acesso à internet e conseguem estudar de suas casas, a gente tem um monte de meninos e meninas que estão amontoados em cômodos com mais de 10 pessoas, sem acesso à internet, sem um pai ou uma mãe que possa ajudar nesses estudos”, argumenta Amaral.

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A manutenção das datas do Enem deste ano foi anunciada pelo ministro de Educação, Abraham Weintraub, no início deste mês. Em coletiva de imprensa, o titular disse que “não há por que falarmos em postergação” e recomendou aos alunos que continuem estudando em casa enquanto as aulas estiverem suspensas.

“Infelizmente, a postura dele (Weintraub) nessa crise (do coronavírus) não é diferente daquela que ele vinha tendo. Ora, o que a gente espera de um ministro da Educação nesse momento? Que o ministério, como está previsto na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) coordene os esforços, que faça videoconferência com secretários estaduais e representação de secretários municipais e que ele diga o que fazer durante a crise”, pontua.

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Segundo Amaral, “falta liderança e sobra tempo para criar problemas nas redes sociais”. “Você não vê o ministro dizendo como a gente vai lidar com isso, você vê nas redes sociais ele criando mais crise diplomática com a China”, ataca.

A parlamentar citou a postagem feita no início deste mês por Weintraub em sua conta no Twitter sobre a pandemia do coronavírus. Usando imagens da Turma da Mônica, o ministro fez insinuações de que a China poderia se beneficiar, de forma propositada, da crise mundial causada pela covid-19. Após repercussão negativa, o post foi apagado. Na ocasião, a Embaixada do país asiático reagiu e classificou a declaração como “absurda e desprezível”.

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A doença que impulsiona o debate sobre a mudança ou não do calendário de provas do Enem já matou 1.328 brasileiros, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (13). O país registra também 23.430 casos confirmados.

Além da manutenção, por enquanto, do cronograma do Enem, o Ministério da Educação também coordenou ações de enfrentamento ao novo coronavírus. Por meio do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), liberou R$ 450 milhões a escolas públicas – trata-se de antecipação do repasse das duas parcelas do programa Dinheiro Direto na Escola, com previsão inicial para abril e setembro.

Weintraub também determinou que estudantes de medicina poderão se formar ao concluir 75% do internato. Estes profissionais recém-formados vão complementar as horas de estágio com o período trabalhado em função da pandemia do coronavírus para conseguir o registro profissional definitivo.

Procurado pelo R7 Planalto, o ministro Abraham Weintraub ainda não se pronunciou. O espaço está aberto para manifestação.