CPI da Covid

R7 Planalto 'Negacionismo perpetuado pelo governo mata', diz Pasternak à CPI

'Negacionismo perpetuado pelo governo mata', diz Pasternak à CPI

Pesquisadora da Universidade de São Paulo critica as ações feitas também pelo Ministério da Saúde em relação à cloroquina

  • R7 Planalto | Plínio Aguiar, do R7

Na imagem, pesquisadora Natalia Pasternak (USP)

Na imagem, pesquisadora Natalia Pasternak (USP)

Jefferson Rudy/Agência Senado - 11.06.2021

Em depoimento à CPI da Covid, Natalia Pasternak, microbiologista e pesquisadora da USP (Universidade de São Paulo), afirmou nesta sexta-feira (11) que diversos estudos já comprovaram que a cloroquina não tem eficácia contra a covid-19 e que o negacionismo feito pelo governo federal em relação à pandemia mata.

"Tudo o que está nesse gráfico já era mais do que suficiente para enterrar a cloroquina de vez e a gente poder mover a discussão para coisas mais relevantes. Isso foi no ano passado. Nós estamos pelo menos seis meses atrasados em relação ao resto do mundo, que já descartou a cloroquina e, aqui no Brasil, a gente continua discutindo isso", afirmou Pasternak.

"Isso é negacionismo, senhores. Isso não é falta de informação. Negar a ciência e usar esse negacionismo em políticas públicas não é falta de informação, é uma mentira e, no caso triste do Brasil, é uma mentira orquestrada, orquestrada pelo Governo Federal e pelo Ministério da Saúde. E essa mentira mata, porque ele leva pessoas a comportamentos irracionais, que não são baseados em ciência", completou.

A pesquisadora da USP informou também que o exemplo não é apenas para a cloroquina. "Isso serve para o uso de máscaras, isso serve para o distanciamento social, isso serve para a compra de vacinas que não foi feita em tempo para proteger a nossa população. Esse negacionismo da ciência perpetuado pelo próprio governo mata", disse.

Questionada pelo relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), se os medicamentos introduzidos no tratamento precoce (ivermectina, zinco, annita, hidroxicloroquina, entre outros) podem prevenir infecção pelo SARS-CoV-2, a pesquisadora informou que não. 

"Esses medicamentos não servem pra covid-19, de acordo com a evidência científica acumulada até agora. Como coloquei na minha apresentação, é claro que a ciência está sempre pronta pra mudar de ideia diante de novas evidências, mas as novas evidências precisam ser robustas, não é qualquer trabalho que foi publicado em qualquer revista, são evidências robustas avaliadas pela comunidade científica. Se essas evidências aparecerem, a comunidade científica muda de ideia. Mas o que temos de evidências acumuladas até agora e acumuladas de uma forma que, realmente, é robusta ou suficiente, é forte o suficiente pra nos dizer que esses medicamentos não são indicados pra covid-19."

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