Ninguém mais se importa com greve de servidores públicos

Sem apoio popular, funcionários da prefeitura de São Paulo dificilmente sairão vitoriosos do movimento grevista previsto para começar nesta terça-feira (05)

Servidores municipais alegam não receber aumento salarial desde 2013

Servidores municipais alegam não receber aumento salarial desde 2013

Divulgação Sindsep

Os funcionários públicos já entraram na mira do governo federal. São a bola da vez no pacote de reformas em andamento. Pela facilidade com que as mudanças na Previdência foram aprovadas, era o caso de os servidores ficarem preocupados – inclusive os municipais de São Paulo, que decretaram greve a partir desta terça-feira (5).

E que fique claro, já de início: as reivindicações da categoria são justíssimas. Só pedem algum aumento salarial (que não recebem desde 2013) e um plano de carreira para os níveis básico e médio. Mas a crise econômica e o esgotamento das finanças públicas em todo o país não favorecem – mesmo que os governantes sustentem um discurso de boas intenções. É o caso, aparentemente, da própria Secretaria de Gestão paulistana. Ela reconhece a necessidade da valorização salarial base do funcionalismo.

Percebam que estamos falando das faixas menos privilegiadas, e não das castas e marajás que acumulam altos salários, gratificações e benefícios imorais. O problema é que a conta não fecha, exatamente porque nas últimas décadas foram se acumulando anomalias difíceis de corrigir. Um exemplo: dos 35 mil servidores municipais da faixa salarial, 12 mil trabalham e 23 mil são inativos. Complicado.

Fora isso, há sempre a falta de empatia e solidariedade quando se trata de greve de órgãos públicos – porque é a população mais carente que costuma sofrer com a interrupção dos serviços. Isso se alguém se importar, já que a regra é vermos greves de servidores (quando vingam) se arrastarem durante semanas ou meses sem que ninguém dê a mínima importância.

E vai piorar para o lado dos servidores. Tudo indica que vem um arrastão reformista por aí. Não há dinheiro em caixa e é evidente o enfraquecimento de mobilizações sindicais. Sem apoio popular, é praticamente impossível vislumbrar perspectivas de vitória. E nada indica que isso vá acontecer. O povo anda exausto.