R7 Planalto O que explica a força da candidatura de Jair Bolsonaro

O que explica a força da candidatura de Jair Bolsonaro

O ex-capitão do Exército conseguiu seduzir os brasileiros que estão revoltados contra o poder estabelecido 

O candidato à Presidência, Jair Bolsonaro, e seu vice, general Mourão

O candidato à Presidência, Jair Bolsonaro, e seu vice, general Mourão

MARCELO CHELLO/CJPRESS/ESTADÃO CONTEÚDO 05/08/2018

Há seis meses, 11 entre 10 especialistas garantiam que nessa altura do jogo, Bolsonaro já estaria escanteado. E, se por acaso ainda tivesse sobrevivido ao espancamento dos adversários, inevitavelmente seria abatido nas sabatinas com jornalistas, ou quando os debates começassem.

Como se sabe, as certezas dos sábios viraram poeira a reboque das pesquisas que indicam a força do ex-militar, e confirmam que jornalistas e outros "istas" pecam pelo ativismo ideológico que emprestam às suas atividades profissionais. Por isso, perdem o distanciamento necessário quando precisam analisar um candidato que foge totalmente aos padrões do que imaginam para quem quer governar o País.

A candidatura de Bolsonaro vai muito além do que uma simples divisão entre esquerda e direita. Ela representa o eleitor que está irritado com o naufrágio político do País. E nesse balaio cabe muita gente. Não pode, ingenuamente, ser entendida como uma disputa entre conservadores e progressistas, ricos e pobres, homens e mulheres.

Essa é uma visão estreita do que está acontecendo na cabeça do eleitor brasileiro.

A maioria da imprensa, com sua pauta esquerdista, ainda não compreendeu que o voto em Bolsonaro é, antes de tudo, um voto de protesto, como antes já se votou em macacos, rinocerontes e no próprio Tiririca.     

Na semana passada, durante uma palestra, Ciro Gomes tentou traduzir a sedução exercida por Bolsonaro da seguinte maneira: "Não é brincadeira um homem — foi meu colega, não tenho nada pessoal com ele: o Bolsonaro — estar empolgando tanta gente, por quê? Porque ele representa essa repulsa que o povo brasileiro está sentindo contra todos os que representamos alguma coisa organizada daquilo que a sociologia chama de elite. Elite, no melhor sentido da palavra. Então, quando Bolsonaro vai pra Globo, o jornalismo da Globo acha que tem o direito de tutelar a sociedade brasileira. E aí foi pra cima do Bolsonaro pra mostrar essa tutela. Ele saiu de lá mais herói do que nunca. Olha: ele brincou com a sexualidade do Merval Pereira, ele fez o Ali Kamel [diretor de jornalismo da emissora] perder a calma e obrigar a Míriam Leitão a ler um editorial com um ponto no ouvido, ele chamou o [Gerson] Camarotti de imoral porque o Camarotti evade-se fiscalmente de pagar o imposto de renda.”

É isso, e muito mais. Em português das ruas, Bolsonaro atrai o eleitor que está "p da vida".

E aí...