R7 Planalto Opinião: Boulos não tem projeto de futuro, mas de passado

Opinião: Boulos não tem projeto de futuro, mas de passado

A gestão de Erundina teve algumas intervenções boas, mas o resultado final foi sofrível e de resultados acanhados, com um balanço negativo

  • R7 Planalto | Marco Antonio Araujo, do R7

Boulos quer reviver gestão de Erundina

Boulos quer reviver gestão de Erundina

Amanda Perobelli/Reuters - 13.11.2020

Governantes não são julgados por predicados pessoais, empatia, capacidade de insuflar multidões. Isso não sobrevive a dez minutos de propaganda eleitoral gratuita. Essas figuras são raras, algumas chegam – e invariavelmente são defenestradas da história quando atingem o poder e são estraçalhadas por movimentos centrífugos causados pelo redemoinho da realidade.

Tudo indica que a chapa Boulos/Erundina, nesta antevéspera de eleição, perdeu o pouco espaço que tinha na TV, no primeiro turno, e paradoxalmente esses valiosos dez minutos abrem flancos para dar voz e visibilidade para as imensas contradições embutidas no olho do furacão.

Já começa a cristalizar um senso comum – notadamente na centro-direita e em setores conservadores – que faz muitos apontarem para o horizonte das contas públicas e as vê sendo sugadas por um movimento ciclotímico. Gente, estamos no meio da maior crise econômica da história deste país e em plena pandemia sem hora para acabar. Não vai ter dinheiro. Alguém duvida?

E vamos ser sinceros noutra questão que é crucial na campanha da frente-esquerda: a gestão de Erundina não foi boa, não. Foi sofrível e de resultados acanhados. Fez algumas intervenções elogiáveis, mas o balanço final foi indiscutivelmente negativo. Sim, ela governou isolada, com minoria na Câmara (e é honesto imaginar: isso voltará a acontecer, basta olhar para o perfil da bancada eleita).

Guilherme Boulos (PSOL) tenta esconder sua inexperiência apresentando como “trunfo” sua candidata à vice, Luiza Erundina (PSOL). Seu desimaginativo programa de governo quer reviver a gestão da ex-petista na Prefeitura de São Paulo, de 1989 a 1992.

E aí, nesse reducionismo, o candidato está ignorando que o planeta girou muito nesses últimos trinta anos. Já à época, Erundina conduziu um mandato turbulento e deixou a prefeitura aprovada por somente 29% dos moradores da capital, segundo o Datafolha. Seu índice de rejeição era de 38%, enquanto 33% consideravam seu mandato regular.

Faceou greves, protestos, depredações, inclusive de movimentos sociais. Sofreu resistência até do próprio partido. Tampouco se deu bem com o governo federal. Chegou a ter as contas reprovadas pelo TCM e o mandato ameaçado.

Seria bom Guilherme Boulos olhar para trás, mas depois respirar fundo e dar uma espiada lá na frente. O desafio é imenso. E dizer que vai ter bolo no domingo, então, é só uma piadinha ruim. Promessas ditas em megafones, no meio da rua, não se tornam verdade como mágica. A vida real é diferente.

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