CPI da Covid

R7 Planalto Pazuello contesta Pfizer e afirma que respondeu oferta de vacina

Pazuello contesta Pfizer e afirma que respondeu oferta de vacina

Ex-ministro da Saúde disse, porém, que não poderia negociar com a farmacêutica e encaminhará comprovação de retorno

  • R7 Planalto | Plínio Aguiar, do R7

Na imagem, general da ativa Eduardo Pazuello

Na imagem, general da ativa Eduardo Pazuello

Jefferson Rudy/Agência Senado - 19.05.2021

Em depoimento à CPI da Covid nesta quarta-feira (19), o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello contestou a versão dada pelo diretor-geral da Pfizer na América Latina e disse que respondeu à farmacêutica "inúmeras vezes", mas que não podia negociar com a empresa.

"Nós respondemos inúmeras vezes à Pfizer. De agosto a setembro. Eu tenho todas as comunicações com a Pfizer. A resposta à Pfizer é uma negociação, que começa no momento da proposta e termina com a assinatura. A resposta sempre foi: 'Sim, queremos comprar, é nosso interesse comprar da Pfizer, mas não posso comprar se não flexibilizar em tal medida, se facilitar a entrega'. Eu tenho documento e será encaminhado à CPI", disse Pazuello.

A Pfizer encaminhou, em 12 de setembro de 2020, uma carta sobre aquisição de vacina contra a covid-19 para o presidente Jair Bolsonaro, vice-presidente Hamilton Mourão, embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Foster, e os ministros Braga Netto (Casa Civil), Eduardo Pazuello (Saúde) e Paulo Guedes (Economia).

O documento foi revelado na íntegra pelo R7 Planalto. O envio da carta foi confirmado pelo diretor-geral da empresa para América Latina, Carlos Murillo, em depoimento ao membros do colegiado.

Na CPI, contudo, Pazuello contestou a versão dada pela empresa e disse que respondeu "inúmeras vezes", mas que não podia negociar com a farmacêutica. O relator do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), questionou o general da ativa do Exército Brasileiro o motivo de não ter tomado a frente das negociações.

"Eu sou decisor, não posso negociar com a empresa. Quem negocia é o administrativo, não o ministro. O senhor deveria saber disso. Eu retiro. O ministro não pode receber empresa, não pode fazer negociação com empresa. Eu recebo o presidente da Pfizer socialmente, mas a negociação é feita no nível da administração", respondeu Pazuello.

O ex-ministro afirmou categoricamente que "não houve decisão de não responder" à Pfizer, e informou que Bolsonaro "era informado o tempo todo sobre minhas conduções".

Em depoimento à CPI, a Pfizer contou, ainda, sobre a participação do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) em reunião com a farmacêutica e com o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fábio Wajngarten. Pazuello, por sua vez, disse "nunca ouvi falar disso".

Cláusulas

Pazuello voltou a afirmar, à CPI, que as cláusulas do contrato com a farmacêutica eram “assustadoras e complicadíssimas”. “Ativos brasileiros no exterior e/ou fundos, isenção completa da responsabilidade por efeitos colaterais, transferência do fórum para julgamento das ações para Nova York, pagamento adiantando, assinatura do presidente da república no contrato e não existir multa quando a atraso de entrega”, disse.

Em depoimento, o gerente-geral da Pfizer rechaçou as críticas feitas por Pazuello de que as cláusulas do processo para a aquisição de vacina contra a covid-19 seriam ‘leoninas’ e ‘abusivas’. “Não concordo com esse posicionamento, nem com esse indicativo de cláusulas leoninas. Nesta pandemia, a Pfizer, numa situação sem precedente, queria que todo mundo colaborasse com esse processo. Por isso, definiu para todos os países as mesmas condições que fez ao Brasil”, disse Murillo.

De acordo com ele, tirando mudanças regionais nos acordos, o contrato que foi sugerido ao Brasil é exatamente o mesmo assinado por 110 países do mundo.

Doses

A Pfizer informou que ofereceu ao governo brasileiro 70 milhões de doses de vacina contra a covid-19. O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), informou que, textualmente ao Senado, Pazuello disse em 11 de fevereiro sobre as quantidades ofertadas, mas que são números divergentes.

“Às vezes fica descontextualizado. Seis milhões são no final do primeiro semestre, dois milhões e meio. Oito milhões no primeiro semestre, seis milhões são os últimos três meses. Estou informando que quando eu falei ao Senado pode ter passado a impressão de que são 6 milhões no primeiro semestre. São 8,5 milhões. São oito milhões primeiro semestre e 66 milhões no segundo semestre. Pode ter havido (equívoco)”, disse Pazuello.

As perguntas sobre a Pfizer levaram os senadores a debateram o tema. O senador Rogério Carvalho (PT-SE) disse que Pazuello estava “fabulando, mentindo”. Na sequência, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que, se necessário, poderá fazer uma acareação entre o diretor-geral da farmacêutica na América Latina e o general do Exército.

“A gente possa ter acesso, o mais rápido possível, dos documentos que o senhor encaminhou a Pfizer. Se não, nós teremos que chamar a vossa Excelência e o presidente da Pfizer para fazer uma acareação”, disse Aziz.

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