CPI da Covid

R7 Planalto Pazuello diz que soube de colapso em Manaus no dia 10 de janeiro

Pazuello diz que soube de colapso em Manaus no dia 10 de janeiro

Declaração diverge de documento assinado pela Advocacia-Geral da União e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal

  • R7 Planalto | Plínio Aguiar, do R7

À mesa da CPI, ex-ministro Eduardo Pazuello

À mesa da CPI, ex-ministro Eduardo Pazuello

Jefferson Rudy/Agência Senado - 19.05.2021

Em depoimento à CPI da Covid nesta quarta-feira (19), o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello afirmou que soube do risco iminente de colapso no sistema público de saúde em Manaus (AM) no dia 10 de janeiro. O sistema de saúde colapsou no dia 14 e dezenas de pessoas morreram em decorrência da falta de oxigênio.

“Eu tomei conhecimento de riscos em Manaus no dia 10, à noite, numa reunião com o governador e secretário de Saúde, quando eles passaram suas preocupações com problema de logística”, afirmou Pazuello.

O ex-ministro informou também que, dois dias antes, em 8 de janeiro, havia iniciado o transporte aéreo de oxigênio para a capital amazonense. “Todas as ofertas de entrega de oxigênio, eu acertei todas. Se elas não foram concretizadas, não posso dizer o porquê.”

A declaração dada por Pazuello à CPI, porém, diverge da informação feita pela AGU (Advocacia-Geral da União). Em manifestação encaminhada ao STF (Supremo Tribunal Federal), José Levi Mello do Amaral Júnior afirmou que o governo federal, sob a gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), sabia da situação de escassez de oxigênio em Manaus desde o dia 8.

De acordo com o documento, ao qual a reportagem do R7 Planalto obteve acesso, o Ministério da Saúde providenciou reuniões de seu secretariado e deliberou pelo envio de uma comitiva à cidade de Manaus logo após o início do ano.

As reuniões foram realizadas entre 3 e 4 de janeiro de 2021. Entre as conclusões, segundo o documento, estão: possibilidade iminente de colapso do sistema de saúde em 10 dias devido à falta de recursos humanos para o funcionamento dos novos leitos, há dificuldades na aquisição de materiais de consumo hospitalar, medicamentos e equipamentos, há necessidade de estruturação de leitos de UTI com celeridade para atendimento aos pacientes que já demandam internação, constada pela alta ocupação dos leitos de serviços de urgência e emergência e estima-se um substancial aumento de casos, entre o período de 11 a 15 de janeiro, em função das festividades de Natal e Ano Novo.

Após o diagnóstico, o secretariado do ministério desenvolveu o Plano Manaus, com diretrizes voltadas ao apoio das administrações locais com o objetivo de normalizar o atendimento à saúde. Nesse momento, decidiu-se pela viagem do ministro da pasta, general Eduardo Pazuello, ao local.

“Até então, o Ministério da Saúde não havia sido informado da crítica situação do esvaziamento de estoque de oxigênio em Manaus, ciência que apenas se operou em 8 de janeiro, por meio de email enviado pela empresa fabricante do produto”, afirma o documento da AGU enviado ao STF sobre o colapso da rede pública de saúde.

“Eu acredito que as medidas possíveis, a partir do dia 10, foram executadas. Com relação a situação específica do Amazonas, o tempo de resposta, a partir de acionamento de Força Aérea, em quatro, cinco dias, estávamos com os níveis de estoque sendo restabelecidos. Se nós tivéssemos sabido antes, poderíamos ter agido antes”, disse Pazuello.

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