R7 Planalto PEC dos Precatórios com votos da '3ª via' embola cenário eleitoral

PEC dos Precatórios com votos da '3ª via' embola cenário eleitoral

Quatro partidos que têm pretensões eleitorais votaram a favor do governo na proposta que abre espaço para o Auxílio Brasil 

  • R7 Planalto | Mariana Londres, de Brasília

Partido que vai filiar Moro teve cinco 5 votos pela aprovação, apesar de declaração prévia do ex-juiz

Partido que vai filiar Moro teve cinco 5 votos pela aprovação, apesar de declaração prévia do ex-juiz

Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Quatro partidos que se apresentam como terceira via nas eleições de 2022 contribuíram com a aprovação apertada em primeiro turno da PEC dos Precatórios na Câmara na madrugada desta quinta-feira (4). Em alguns casos, contrariando posicionamentos públicos de seus possíveis candidatos.

O PDT de Ciro Gomes, o PSD de Rodrigo Pacheco, o PSDB de Doria e Eduardo Leite e o Podemos de Sergio Moro, rachados na votação, ajudaram o governo Bolsonaro a aprovar a proposta que vai abrir espaço no Orçamento para o Auxílio Brasil em 2022.

Já há reflexos práticos da votação na corrida eleitoral. Ciro deixou a sua candidatura em suspenso, Doria criticou publicamente a decisão da maior parte da bancada do seu partido e Moro viu a sua declaração pública contrária à PEC ser ignorada pela metade da bancada do partido ao qual vai se filiar na próxima semana. Os partidos da terceira via saem da votação ainda mais pressionados a apresentar um posicionamento claro sobre qual política econômica para o país defendem como opção a Lula e Bolsonaro.  

No PSDB, que tem os governadores João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio disputando as prévias, quase 70% da bancada, 22 dos 32 deputados,  foram favoráveis ao texto, seguindo a orientação do partido para a votação. O resultado fez Doria dar declarações públicas contra o posicionamento nesta quinta, apesar de ele não ter feito declarações prévias sobre a votação. 

Dos 35 deputados do PSD, 29, ou 80%, votaram com o governo federal seguindo a orientação do partido. Cinco foram contrários e um não votou. A legenda tenta viabilizar a candidatura a Presidência do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), que se filiou recentemente à sigla e não se manifestou sobre a matéria, que terá que ser apreciada no Senado após passar pela Câmara. 

No PDT de Ciro, 15 dos 21 deputados votaram pela medida, de acordo a orientação do partido, que virou na última hora. Em crise, os líderes do partido evitaram falar sobre a votação e há um movimento para mudança de posicionamento para o segundo turno da PEC. 

O Podemos, que na semana que vem vai filiar o ex-juiz Sergio Moro em evento em Brasília rachou, mas com maioria a favor da PEC: dos dez deputados, cinco foram favoráveis, quatro contrários e um não votou. Nos bastidores, integrantes do partido falam que foram atropelados pela votação. Eles não acreditavam que houvesse quórum para votar nesta semana, foram pegos de surpresa pela possibilidade do voto remoto para quem estava em missão oficial e não conseguiram reunir a bancada para discutir e fechar uma posição. 

Antes da votação, Moro disse em suas redes sociais ser contrário à PEC: "Aumentar o Auxílio Brasil e o Bolsa Familia é ótimo. Furar o teto de gastos, aumentar os juros e a inflação, dar calote em professores, tudo isso é péssimo. É preciso ter responsabilidade fiscal".

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