Presidente da Índia pede que Brasil retire ação contra açúcar indiano

Narendra Modi argumentou que “a Índia é responsável por 2% do açúcar no mercado global”, e Bolsonaro prometeu "fazer o possível" para atendê-lo

Jair Bolsonaro conversa com o premiê indiano, Narendra Modi

Jair Bolsonaro conversa com o premiê indiano, Narendra Modi

arquivo pessoal

O presidente Jair Bolsonaro foi recebido neste sábado pelo primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. No encontro, Modi pediu que o Brasil retire a ação na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra subsídios ao açúcar do país oriental. O premiê argumentou que “a Índia é responsável por apenas 2% do açúcar no mercado global”.

Bolsonaro prometeu “fazer o possível para atender esse pleito. Havendo interesse da sua parte queremos transformar o etanol em commodity com apoio da Índia”.

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Em fevereiro do ano passado, o governo brasileiro formalizou uma consulta na OMC contra os subsídios ao setor de açúcar na Índia. O temor é que o crescimento do mercado indiano prejudique os produtores brasileiros.

Modi explicou que as metas da Índia para o setor são “ambiciosas” e o Brasil pode ser um bom parceiro.

“Temos metas ambiciosas. No etanol, o Brasil tem muitos empresários que podem nos ajudar. Queremos mais esta cooperação e nos apresentamos como grande mercado consumidor. Os novos veículos fabricados na Índia podem inclusive ser flex”.

Para Bolsonaro, o consumo de etanol pela Índia reduziria as emissões de carbono na atmosfera. “Queremos ajudar a Índia a ter maior consumo e uso do etanol e assim transformá-lo numa commodity. Isto ajudaria a reduzir as emissões de carbono”.

Modi também disse que há interesse em uma joint venture na área de petróleo. “Temos comprado mais petróleo cru das Américas. Temos interesse em comprar do Brasil em condições favoráveis”.

Tecnologia 5G

Os dois líderes também conversaram sobre um eventual acordo na área da tecnologia 5G de internet e telefonia móvel. O premiê indiano questionou Bolsonaro sobre as possibilidades de cooperação. 

O presidente brasileiro disse que o tema é sensível, que não há uma decisão e que espera, em breve, ter “liberdade para decidir sobre o assunto sem ter problema com qualquer outro país”. 

“Não decidimos ainda. A empresa chinesa atua em boa parte do Brasil. Estamos cientes do interesse dos EUA e temos bom relacionamento com Trump. É um assunto sensível. Mas acredito que em breve o Brasil terá liberdade para decidir sobre este assunto sem ter problema com qualquer outro país”, concluiu Bolsonaro.

Isenção de vistos

O compromisso brasileiro de isentar visto para turitas indianos foi uma das pautas da conversa.  Modi agradeceu a Bolsonaro pela iniciativa. "Espero que seja implementado em breve”. 

O brasileiro disse que pediu para celeridade sobre o tema ao ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.

Acordos assinados

A comitiva brasileira aproveitou a viagem para assinar 15 acordos de cooperação em diversas áreas. 

Os memorandos assinados estão nas áreas de facilitação de investimento, bioenergia, saúde, intercâmbio cultura, recursos minerais, previdência social, segurança cibernética, cooperação científica e tecnológica, além dos setores de agronegócio, jurídico, óleo e gás, primeira infância e medicina alternativa.

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