R7 Planalto Relator destaca contradições do depoimento de Nise Yamaguchi

Relator destaca contradições do depoimento de Nise Yamaguchi

Como convidada, médica oncologista e imunologista deu declarações aos membros da CPI da Covid nesta terça-feira (1º)

  • R7 Planalto | Renata Varandas, da Record TV, com Plínio Aguiar, do R7

Na imagem, médica Nise Hitomi Yamaguchi

Na imagem, médica Nise Hitomi Yamaguchi

Edilson Rodrigues/Agência Senado - 01.06.2021

O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), elaborou na tarde desta terça-feira (1º) contradições do depoimento da oncologista e imunologista Nise Yamaguchi.

Entre as contradições, estão: gabinete paralelo do Ministério da Saúde, tratamento precoce com cloroquina, medicamento sem eficácia contra a covid-19, e a alteração da bula da cloroquina.

Veja, abaixo, as contradições de Nise apontadas pelo relator:

1) Introdução da depoente

Declaração: Nota Informativa nº 6 do MS, de 27/3/21, já se falava de cloroquina para casos moderados e graves; não participa de discussões sobre vacinas.

Contradição: Afirmou que recentemente foi assegurado cientificamente que é melhor que não se trate com cloroquina os casos moderados e graves; conversou em um almoço com (presidente Jair) Bolsonaro sobre a importância do tratamento precoce com cloroquina e hidroxicloroquina, inclusive em favor da imunidade de rebanho. (Deputado federal) Osmar Terra estava presente.

2) Gabinete paralelo

Declaração: Outros médicos conversavam com o presidente: presidente da Associação Médica Brasileira, presidente do CFM, médicos do Einstein e Sírio; não sabe se Luciano Dias Azevedo teria aconselhado o presidente Bolsonaro; conheceu Carlos Wizard em reunião do Conselho Médico Independente. Wizard trabalharia com (Eduardo) Pazuello em Roraima. Teve várias reuniões com Wizard e Arthur Weintraub. Afirma que nunca teria se encontrado sozinha com o presidente Bolsonaro

Contradição: Confirma existência de gabinete paralelo; esteve com Arthur Weintraub em reuniões na Presidência, em cerimônias e, inclusive, em evento denominado “médicos para a vida”, aquele discutiu possibilidades e estratégias para se viabilizar e distribuir medicamentos para tratamento precoce. Também participou de diversas reuniões no Ministério da Saúde.

Falsa declaração: Documentos obtidos pela CPI comprovam que no dia 15/5/20, às 10h45, a declarante esteve no Palácio do Planalto, em reunião com o Presidente da República.

3) Tratamento precoce com cloroquina e hidroxicloroquina

Declaração: Defende o tratamento precoce (inicial), afirmando que salva vidas. Não seria necessário vacinar toda a população aleatoriamente. O tratamento precoce no Amapá teria resultado no menor índice de mortes, em todo o mundo.

Contradição: Vídeos exibidos pela CPI mostraram a médica defendendo que o tratamento precoce evitaria e até substituiria a vacinação. Checagem mostra que, na verdade, o Amapá é o 6º Estado do Brasil em mortes por COVID-19, por 100 mil habitantes.

Importante: foi declarado pela médica que o Presidente da República afirmou que haveria algum tratamento precoce para COVID em outros país e a questionou sobre o fato. Isso teria impulsionado a declarante, segundo suas próprias afirmações, a procurar o Conselho Federal de Medicina para ratificar o tratamento com cloroquina e hidroxicloroquina.

4) Bula cloroquina

Declaração: Não teria sugerido mudança na bula da cloroquina. Não existia minuta para isso.

Contradição: A declaração contraria testemunhos compromissados do presidente da Anvisa e do ex-ministro (Luiz Henrique) Mandetta. Ambos afirmaram que a depoente foi quem avançou e insistiu em mudar a bula da cloroquina para constar nela indicação para covid-19. Estavam presentes Barra Torres, Henrique Mandetta e Luciano Azevedo. Este teria escrito uma minuta de decreto.

5) Políticas públicas para tratamento precoce

Declaração: Presidente da República não tratou com a declarante a respeito dos cargos de ministro ou qualquer outro; convites para reuniões eram realizados por telefone. Por meio da Segov, gabinete do ministro (Luiz) Ramos e presidente da República, todos por meio de secretárias e assessorias; convites para reuniões no Ministério da Saúde eram feitos pelo próprio ministro (Eduardo) Pazuello, Dr. Denizar e outros, por e-mail ou telefone.

Contradição: a depoente declarou que teria sido convidada pelo Presidente Bolsonaro para integrar reuniões e, também, o gabinete de crise do Planalto. Há registros de seis reuniões às quais a declarante estava presente na Casa Civil e na Presidência da República. Teve reuniões com Dr. Élcio, Secretário Executivo, Dr. Eduardo Pazuello, Dr. Denizar Vianna, Dr. Hélio Boti, Dra. Mayra, assessorias.

6) Questionamentos do senador Randolfe Rodrigues

Declaração: Perguntada se teria sido Arthur Weintraub quem a levou para participar de reuniões e eventos na Presidência. Não participou de sugestões ou elaboração de decreto para alterar a bula da cloroquina.

Importante: a depoente respondeu: “Não! Foi o presidente.”

Contradição: Trocou mensagem de texto com Luciano Azevedo afirmando: “esse decreto não pode ser assim”. Porém, ao relator declarou que nunca viu minuta de decreto para alterar bula de medicamento.

Declaração grave: afirmou que ela própria teria levado minuta de decreto para alterar a bula da cloroquina: “eu trouxe o decreto”.

7) Questionamentos do senador Alessandro Vieira

Declaração: Perguntada sobre os motivos pelos quais, desde abril/2020, vários países mudaram seus entendimentos quanto ao tratamento com cloroquina e hidroxicloroquina, afirmou que o “departamento de evidências do mundo real” (do FDA americano) estaria recebendo dados e estudando a aplicação da cloroquina e hidroxicloroquina.

Contradição: checagem concluiu que “em 24 de abril de 2020, o FDA dos Estados Unidos fez um alerta público contra seu uso [cloroquina], devido a ‘sérios problemas de ritmo cardíaco'".

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