CPI da Covid

R7 Planalto Relatoria aponta contradições entre Dimas e Pazuello; veja pontos

Relatoria aponta contradições entre Dimas e Pazuello; veja pontos

Síntese do depoimento do diretor do Instituto Butantan mostra divergência em relação a depoimentos de ex-ministros 

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Relatoria aponta ao menos 4 contradições entre Dimas e Pazuello

Relatoria aponta ao menos 4 contradições entre Dimas e Pazuello

Evaristo Sá/AFP - 27.05.2021

A relatoria da CPI da Covid elaborou um resumo com dez destaques e entre eles ao menos quatro contradições do depoimento  do diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, em relação a depoimentos anteriores prestados à CPI, dos ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde), Ernesto Araújos (Relações Exteriores) e Fábio Wajngarten (Secretaria de Comunicação). 

As divergências se referem ao contrato do governo federal com o Butantan, a declarações do presidente que atrasaram o contrato, ao impacto de declarações do presidente sobre a China e sobre os atrasos na compra da Coronavac pelo governo federal. 

Dimas Covas foi ouvido nesta quinta-feira (27) por cerca de seis horas e abordou diferentes questões sobre a pandemia.

Leia abaixo a síntese da relatoria e que deve estar no relatório final da CPI do senador Renan Calheiros (MDB-AL). 

1) Aquisição de vacinas 

Dimas Covas: A demora em obter respostas quanto à vacina tirou dos braços dos brasileiros milhões de doses.

Relatoria: Ao perder a chance de agir na primeira oferta deixou de adquirir e disponibilizar 60 milhões de doses até dezembro/20; Perdeu também a chance de atuar quanto à segunda oferta,
isto é, 100 milhões de doses até maio/2

2) Investimentos

Dimas Covas: O Governo Federal não disponibilizou recursos para o Butantan, apesar de expressamente requerido pelo instituto.

Destaque da relatoria: Em contraposição, investiu por meio de Medida Provisória, com montante de 2 bilhões, em favor da Astrazeneca. E, ainda pior, Medida Provisória em favor do Butantan foi abortada pelo Governo Federal.

3) Introdução do depoente

Dimas Covas: Houve acerto informal para que o Butantan produzisse e entregasse 100 milhões de doses, porém, em seguida, houve a informação do MS cancelando o acerto informal.
As negociações esfriaram depois da declaração do Presidente da República em 20 de outubro e o contrato só foi assinado em janeiro de 2020, em condições diferentes da proposta de outubro.

Relatoria: O depoente contradiz Pazuello que afirmou: “acreditem, nunca o Presidente da República mandou eu desfazer qualquer contrato, qualquer acordo com o Butantan – em
nenhuma vez. E eu gostaria de colocar aqui uma coisa diretamente ou por documento, ou por qualquer um”. O depoente contradiz Pazuello, que afirmou que já teria assinado o protocolo de intenções com o Butantan, e que esse acordo não havia sido desfeito.

4) Compra Coronavac

Dimas Covas: pontuou que o Instituto Butantan possuía, já em dezembro de 2020, 6 milhões de doses prontas em estoque, e outras 4 milhões já estavam em processamento.

Relatoria: A vacinação brasileira contra a covid-19 poderia ter sido iniciada em dezembro de 2020, com cerca de 10 milhões de doses do Instituto Butantan, que seriam somadas às 1,5 milhões de doses da Pfizer.

5) Compra Coronavac 2 

Dimas Covas: Após declarações de Bolsonaro e Pazuello em live realizada imediatamente após as bases do primeiro acordo para aquisição de vacinas ser ajustado, e de Élcio Reis, Secretário Executivo do Ministério da Saúde, não houve mais andamento nas negociações com o MS, que só foram finalizadas em 2021.

Relatoria:  Contradiz Pazuello, ao afirmar que as declarações do presidente Bolsonaro de que não compraria as vacinas do Butantan atrasaram sobremaneira a aquisição. Declarou, ainda, que a prova disso foi a assinatura do contrato do MS com a AstraZeneca, em agosto de 2020, e com o Butantan, em janeiro de 2021.

6) Conflito com o governo de São Paulo

Dimas Covas: Sempre teve interlocução técnica com o MS, inclusive buscando a edição de MPV para sustentar o orçamento do Butantan, mas, em outubro de 2020, as tratativas foram interrompidas, porque o Governo Federal passou a buscar outras alternativas de vacinas.

Relatoria: O declarante afirmou decepção em relação aos tratamentos e considerações prestados pela Presidência da República, que passou a desacreditar toda a expertise do Butantan. Tais atitudes impediram a vacinação de milhões de pessoas.

7) Relações com a China

Dimas Covas: Cada declaração de autoridades no Brasil repercute na imprensa Chinesa. Estranhou o fato de tratativas que poderiam transcorrer em 15 dias, acontecem, em favor do Brasil, em mais de 30 dias. Informação confirmada pelo Embaixador brasileiro em Pequim que, inclusive, solicitou que o Governo Federal adotasse postura mais “positiva” com a China. A China é o maior fornecedor do Brasil no ramo de vacinas, insumos para produção de vacinas e outros tantos na área de saúde. Somente após a nomeação de Carlos França, foi convidado para uma reunião de planejamento negocial.

Relatoria: Contradiz Pazuello, Ernesto Araújo e Fábio Wajngarten ao afirmarem que as relações com a China sempre foram salutares e não teriam sofrido impactos negativos por conta das atitudes do Governo Federal e de declarações do Presidente da República.

8) Butanvac

Dimas Covas: Não há ainda nenhum apoio do MS ou do Governo Federal, financeiro ou operacional, para o desenvolvimento da ButanVac. A OMS reconhece que a ButanVac é de grande importância para a imunização, em todo o mundo. 

Relatoria: Apesar de a vacina ter resultados promissores, o Ministério da Saúde ainda não agiu para financiar o projeto.

9) Coronavac

Dimas Covas: Teve dificuldades em outubro para recrutamento de voluntários, em decorrência das campanhas difamatórias promovidas pelo Presidente da República.

Relatoria: Integrantes do Governo Federal ouvidos na CPI têm insistido que suas declarações sobre a China não tiveram impacto sobre a obtenção de insumos para o combate a covid-19, notadamente da vacina. Os fatos trazidos pelo Dr. Dimas Covas mostram que, ao contrário, a campanha difamatória produzida pelo Presidente da República criou uma imagem ruim e indevida sobre a CoronaVac.

10) Atraso nas tratativas da compra da Coronavac

Dimas Covas: Em outubro de 2020, estavam ocorrendo tratativas entre o Butantan e o Ministério da Saúde para viabilizar uma futura aquisição de vacinas. Após declarações do Presidente, houve um atraso nessas negociações, que foram concluídas apenas em janeiro de 2021.

Relatoria: Dimas Covas desmetiu Pazuello em diversos momentos, afirmando que a fala do Presidente atrasou as negociações. Depoimento de Dimas Covas: “Então, houve intensas tratativas das equipes técnicas. (...) E tudo, aparentemente, estava indo muito bem”. “Infelizmente, essas conversações não prosseguiram porque houve, sim, uma manifestação do Presidente da República, naquele momento, dizendo que a vacina não seria, de fato incorporada, não haveria o progresso desse processo.”

“Quer dizer, houve, no dia 19, um dia antes da reunião com o Ministro, um documento do ministério que era um compromisso de incorporação, mas após, esse compromisso ficou em suspenso e, de fato, só foi concretizado em 7 de janeiro.".

“Não houve mais progresso nessas tratativas até janeiro.”

Depoimento de Eduardo Pazuello:

“Eu queria colocar uma coisa para os senhores: acreditem, nunca o Presidente da República mandou eu desfazer qualquer contrato, qualquer acordo com o Butantan – em nenhuma vez.”

“Então, eu queria dizer que a posição de agente político dele ali não interferiu em nada do que nós estávamos falando com o Butantan”

“Então, eu não cancelei a intenção de compra em momento algum.”

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