Repórter da Folha de S.Paulo merece apoio muito além do corporativismo

Patrícia Campos Mello foi vítima de um depoimento criminoso em que foi acusada, de forma cafajeste e mentirosa, de trocar informações por sexo

Hans River do Rio Nascimento mentiu em seu depoimento à CPMI das Fake News

Hans River do Rio Nascimento mentiu em seu depoimento à CPMI das Fake News

Reprodução

Corporativismo não é qualidade, é defeito. Por isso, o apoio a Patrícia Campos Mello tem de ser incondicional. Não é por ser jornalista que ela merece uma defesa intransigente diante do ataque que sofreu durante depoimento de um cafajeste mentiroso na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) sobre Fake News, nesta terça-feira, 11.

Em audiência pública, sob o compromisso de dizer a verdade (tendo o direito de permanecer calado), o ex-funcionário de uma empresa de disparos de mensagens em massa por WhatsApp Hans River do Rio Nascimento mentiu de forma deliberada. Cometeu um crime. Acusou a repórter da Folha de S.Paulo de ter oferecido sexo em troca de informações.

A testemunha (ironicamente convocada pela ingênua bancada do PT) foi, de imediato, desmascarada por áudios, mensagens e documentos apresentados por Patrícia, profissional seríssima, além de internacionalmente premiada. Mas o estrago já estava feito, por conta dos tribunais de inquisição instalados nos esgotos da internet.

Houve uma reação imediata de colegas jornalistas. Com prontidão, foi prestada justa e contundente solidariedade à repórter. Resta saber se haveria tamanha comoção fosse outra a vítima da acusação machista, misógina, ofensiva e criminosa. A defesa da honra alheia, a indignação com a mentira e o apreço pela verdade não podem ser discricionários ou exercidos por conveniências.

Toda mulher merece respeito, e todo cidadão, principalmente homem, tem o dever de dar sua contribuição para uma sociedade menos preconceituosa e fatalmente feminicida. Patrícia Campos Mello – para além de sua atividade profissional, exercida sempre com dignidade – foi vítima de uma agressão covarde, feita por gente indigna, em condições que causam danos graves. Fica aqui o nosso apoio. Irrestrito.