Sérgio Moro concorda em praticamente tudo com Bolsonaro 

O único foco de possível desentendimento entre os dois será em relação a classificar movimentos sociais como organizações terroristas  

Sérgio Moro concedeu entrevista nesta terça (6)

Sérgio Moro concedeu entrevista nesta terça (6)

Geraldo Bubniak/Estadão Conteúdo 06.11.2018

Na quinta-feira da semana passada, perguntado ainda no avião, sobre a expectativa do encontro que teria logo depois com Jair Bolsonaro, Sérgio Moro disse que "tudo depende de conversar para ver se há convergências importantes e divergências irrelevantes”.

Pois é.

A entrevista do juiz, agora há pouco, confirma que as convergências importantes superam de longe as divergências irrelevantes. Os dois estão alinhados sobre quase todos os pontos polêmicos da pauta defendida pelo presidente eleito durante a campanha.

Quem esperava desavenças em temas fundamentais, como a redução da maioridade penal para 16 anos, viu uma harmonia impressionante de ideias e propostas. O clima de lua de mel entre os dois é tanto que ao aventar um possível desentendimento, o juiz disse que defenderia sempre o que pensa, mas que a certeza poderia estar com o presidente eleito. 

O único eventual dissenso entre os dois será a tentativa de Bolsonaro em enquadrar movimentos como o MTST e MST na categoria de grupos terroristas. Moro é contra, mas faz uma ressalva relevante ao afirmar que invasões de propriedades privadas "não podem ser inimputáveis".

Assim, mesmo quando discordam, a janela fica aberta para um acordo futuro. 

Dois aspectos devem ser assinalados na fala de Sérgio Moro:

1 - O futuro ministo da Justiça e da Segurança Pública vai comandar uma agenda vigorosa para o recrudescimento das leis contra o crime organizado, a corrupção e os crimes violentos, como estupro, homicídio e latrocínio. Moro ressaltou que no Brasil há "um barateamento da vida" e que a progressão do regime fechado para o aberto deve exigir um tempo maior.

2 - Aplaudido pelos jornalistas, o ainda juiz demonstrou um domínio notável da situação ao responder a perguntas embaraçosas, por exemplo, sobre ditadura, aliados acusados de corrupção e excludente de ilicitude, e dá toda pinta de que está arrumando a cama para a sucessão de Jair Bolsonaro.

Uma coisa depende da outra.